Socialistas quase em silêncio, Marcelo saúda “acelerar” da Justiça

Poucas foram as reacções à acusação a José Sócrates e as registadas foram cautelosas. Presidente da República apenas fala no “acelerar” da Justiça.

LUSA/PAULO NOVAIS
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O primeiro-ministro estava na rua e até a falar com jornalistas. A conversa durou largos minutos, mas terminaria sem que ainda fosse conhecida a acusação a José Sócrates. Foi por isso Augusto Santos Silva o primeiro a falar sobre a acusação do Ministério Público ao antigo primeiro-ministro. O número dois do Governo seguiu a bitola do que tinha vindo a ser dito pelo chefe do executivo, dizendo que a acusação deveria ser no “lugar próprio”, ou seja, na Justiça.

“O que era essencial era que a acusação se fizesse no lugar próprio e através dos órgãos próprios, não nos jornais, nas televisões ou nas rádios, não através de fugas de informação, mas que se conhecesse qual é a acusação, os factos em que se fundamenta para também conhecermos qual é a defesa e depois o tribunal julgará. É assim que acontece num Estado de direito”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Além de Santos Silva, apenas falou o presidente do PS. Numa conversa na TSF, Carlos César comentou a acusação de forma vaga, mas admitindo que não é uma situação fácil. “É evidentemente desconfortável no plano cívico para a generalidade dos portugueses que num processo desta natureza esteja em causa a inocência ou a culpabilidade de um antigo primeiro-ministro”, disse o socialista. De resto, abateu-se um silêncio sobre o PS.

Quem não ficou calado foi o Presidente da República, mas, mesmo assim, Marcelo Rebelo de Sousa foi cauteloso, lembrando o que tinha dito no discurso do 5 de Outubro. “Aquilo que eu penso da Justiça disse-o noutro dia, no dia 5 de Outubro: tudo o que seja a Justiça acelerar e, de alguma maneira, converter em prazos mais curtos aquilo que temos a noção de que é muito longo é bom”, disse, acrescentando que a lentidão do sistema judicial é “uma das queixas legítimas em Portugal”. Apesar destas palavras, o Presidente recusou comentar o caso concreto do ex-primeiro-ministro, afirmando que um responsável político não o deve fazer.

Do lado do PSD saiu a reacção mais directa à decisão do Ministério Público. “Ninguém está acima da lei”, disse o antigo líder parlamentar dos sociais-democratas Luís Montenegro, também em declarações à TSF. “Não está só em causa a actuação de um antigo primeiro-ministro, está também a actuação de outras figuras de proa da vida nacional”, afirmou Montenegro, referindo ainda que esta acusação prova que “todos são escrutinados e, possivelmente, responsabilizados”. Contudo, Montenegro não criticou a lentidão da Justiça, dizendo que a investigação “durou o tempo necessário” para que fossem tiradas conclusões.