Veículos eléctricos vão poder abastecer nas universidades a partir do próximo ano

O Governo vai estender o investimento até agora realizado para a instalação de estações de carregamento de veículos eléctricos às universidades e, possivelmente, aos institutos politécnicos a partir de 2018.

O secretário de Estado Adjunto e do Ambiente anunciou o investimento de 500 mil euros
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O secretário de Estado Adjunto e do Ambiente anunciou o investimento de 500 mil euros Ricardo Castelo \ NFACTOS

As áreas das universidades públicas vão começar a ser ocupadas por pontos de abastecimento de veículos eléctricos já no próximo ano, mediante a dimensão e a consequente procura que existe nos campi, de forma a que o investimento, para já, de 500 mil euros, oriundos do Fundo Ambiental, satisfaça efectivamente as necessidades dos alunos, afirmou o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, durante a inauguração do Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-sustentabilidade (IB-S), da Universidade do Minho (UM), que contou também com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

Depois do “investimento forte em todo o país para a instalação de pontos de carregamento, quer médios, quer rápidos e semi-rápidos”, a cargo da Mobi.E, José Mendes frisou que o Governo procura agora fomentar a “mobilidade descarbonizada” em alvos específicos, como as comunidades académicas, frisando que a iniciativa pode abranger 20 a 30 pólos das universidades públicas e, porventura, dos institutos politécnicos e, pelo menos nos “primeiros tempos”, não deve acarretar qualquer pagamento.

Tais pontos de carregamento, sugeriu o responsável, dificilmente serão rápidos, tal como o que foi recentemente colocado na Segunda Circular, em Lisboa, visto que cada um deles tem um custo aproximado de 100 mil euros e “não faz sentido” colocá-los numa universidade, ao contrário, por exemplo, de uma “zona de serviço da auto-estrada, onde“ninguém pára duas ou três horas”, referiu.

O secretário de Estado revelou ainda que o Ministério do Ambiente vai promover um “ciclo de debates alargado” em todas ou na “maior parte das universidades públicas e em alguns politécnicos sobre a descarbonização, a acção climática dentro das academias e a economia do baixo carbono”

Instituto reúne áreas científicas e empresas para o combate às alterações climáticas

O secretário de Estado falou ainda sobre o Instituto de Bio-Sustentabilidade, inaugurado nesta quarta-feira, considerando-o um projecto que vai de encontro à agenda da descarbonização do Governo e que tem a mais-valia de se ter associado a empresas, defendendo que o conhecimento tem valor por si próprio, mas também deve haver uma porção do conhecimento direccionado para o lucro e para o bem-estar.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior reforçou, por seu lado, a formação especializada e os novos programas de pós-graduaçã” que o instituto poderá oferecer em colaboração com os empregadores – o Conselho Estratégico do IB-S é liderado por José Teixeira, director-executivo da  construtora de Braga, DST -, lembrando que a inauguração ocorreu precisamente um dia depois de ter sido publicado o edital para o “estabelecimento de laboratórios colaborativos”, que procura aproximar universidades e empresas e “criar empregos com base no conhecimento”.

A valência inaugurada nesta quarta-feira conta com dois edifícios eficientes em termos energéticos – o de Braga, ligado às ciências biológicas, à biotecnologia e à ecologia, a cargo do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da UM, e o de Guimarães, a cargo do Instituto para a Inovação e Sustentabilidade em Engenharia Civil (ISISE), com ligação às ciências dos materiais, à produção e gestão de energia, e à conservação e reabilitação das construções e, neste momento, já “praticamente saturado com muitos grupos de trabalho multidisciplinar”.

Fruto de um investimento de quase nove milhões de euros, segundo o reitor da Universidade do Minho, António Cunha, o instituto vai ter uma “plataforma de ensaios à escala real para construção”, onde se podem utilizar, por exemplo, “tijolos em materiais diferentes dos habituais”, e um “rio artificial”, e pretende avançar com projectos que reúnam as várias disciplinas científicas abrangidas pelo instituto, com vista à resolução de problemas concretos da sociedade, nomeadamente aqueles que estão relacionados com as alterações climáticas.

Os professores Paulo Lourenço, do ISISE, e Cândida Lucas, do CBMA, referiram que o instituto vai agir no quadro dos 17 objectivos para o Desenvolvimento Sustentável, lançados pela ONU em 2015, e da Agenda 2030, com projectos para proteger e restaurar ecossistemas ligados à água, para criar “soluções holísticas para a urbanização humana”, zonas que geram muita poluição, e para gizar “estratégias de defesa face aos desastres naturais”.