O objectivo encolheu: para o líder do PSD, ganhar “não é obsessão”

Com as atenções viradas para si – mais do que para o líder do PS e do Governo – nestas eleições autárquicas, Passos Coelho já deixou bem claro que a sua liderança não está em jogo e que não vai abandonar o partido.

Passos foi adaptando o discurso sobre os resultados esperados
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Passos foi adaptando o discurso sobre os resultados esperados ADRIANO MIRANDA
Derrota ou vitória terão consequências na liderança de Passos?
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Derrota ou vitória terão consequências na liderança de Passos? ADRIANO MIRANDA

Não é uma tragédia, não é uma obsessão. O tom do líder do PSD sobre resultados do partido inferiores ao esperado nas próximas autárquicas tem vindo a adaptar-se. Pedro Passos Coelho já assumiu que o objectivo traçado – maior número de câmaras, mais mandatos – é difícil, mas que, ainda assim, não abandonará o PSD. São os resultados nos grandes centros urbanos – sobretudo Lisboa e Porto – que podem fazer disparar as críticas internas. Se as câmaras conquistadas forem de pequena dimensão, o PSD arrisca a ter uma derrota na percentagem de votos nacional e a transformar-se num partido menos urbano.

A estratégia autárquica social-democrata ficou definida há mais de um ano e nela se fixaram os objectivos: um maior número de câmaras (e assim passar a presidir à Associação Nacional de Municípios Portugueses), um maior número de juntas de freguesia e um maior número de mandatos. É o que Pedro Passos Coelho tem vindo a repetir, embora também já tenha esfriado as expectativas. Já admite que não será o fim do mundo se os resultados ficarem um pouco aquém da meta traçada. E disse, numa entrevista recente à CMTV, que é por esse objectivo eleitoral que se vai bater mas que “não se trata de uma obsessão para o PSD”.

Os sociais-democratas têm menos 43 câmaras do que o PS, o que torna o objectivo traçado difícil de alcançar. Na cúpula do partido acredita-se que, se o PSD conseguir reduzir a diferença para perto de 30 câmaras, já poderá respirar de alívio. Um resultado que, nesta perspectiva meramente matemática, fica acima do alcançado nas autárquicas de 2013 e que foi reconhecidamente trágico para o PSD.

Essa vantagem poderá permitir a Passos Coelho reclamar louros da vitória e calar os críticos. E é esse cenário que assusta os mais desalinhados com a actual direcção do PSD. Se a vantagem numérica pode permitir cantar vitória, já a perspectiva de perder nos maiores centros urbanos pode ser arrasadora. Não só porque a cor laranja ficaria confinada a zonas mais rurais, mas também porque isso pode influenciar negativamente o número nacional de votos. E ainda porque em Lisboa e no Porto temem-se resultados embaraçosos para um partido nacional como o PSD. Não é indiferente ficar em segundo lugar ou passar a ser a terceira ou quarta força local.

É, aliás, a dimensão dessas eventuais derrotas que pode fazer disparar críticas mais ou menos acutilantes à liderança de Passos Coelho. Até porque tanto Teresa Leal Coelho em Lisboa como Álvaro Almeida no Porto foram escolhas do líder do PSD. E isso permite responsabilizá-lo directamente, apesar de dois dos críticos passistas – José Eduardo Martins e Pedro Duarte – se terem envolvido, aceitando ser candidatos à assembleia municipal de Lisboa e do Porto respectivamente.

Com as atenções viradas para si – mais do que para o líder do PS e do Governo – nestas eleições autárquicas, Passos Coelho já deixou bem claro que a sua liderança não está em jogo e que não vai abandonar o partido. O líder social-democrata promete dar luta a quem quiser disputar eleições directas que antecedem o congresso ordinário de 2018. Para já só Rui Rio admite estar disponível para se candidatar à liderança do PSD. Mas, a confirmar-se, não será uma disputa sem combate. Não é por acaso que Passos Coelho, a poucos meses das eleições internas, percorre o país, de Norte a Sul. É uma espécie de pré-campanha interna embrulhada nas autárquicas.

Para desdramatizar até já definiu calendário interno, em entrevista à Rádio Renascença: directas em finais de Janeiro ou princípios de Fevereiro de 2018 e congresso um mês depois. "Não me vou pôr ao fresco", prometeu.