Cristas todo-o-terreno “atropela” ministro no mistério de Tancos

Líder do CDS e candidata a Lisboa diz que o ministro da Defesa, “se calhar, não compreende que já não existe”.

Assunção Cristas na dupla qualidade de candidata e líder do CDS
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Assunção Cristas na dupla qualidade de candidata e líder do CDS LUSA/Inácio Rosa

Por duas vezes, Assunção Cristas já tinha pedido a demissão do ministro da Defesa por causa do assalto aos paióis de Tancos, mas este domingo deu-se conta de que, “se calhar”, ele já nem existe.

A líder do CDS-PP foi a primeira candidata a Lisboa a comparecer na mostra de carros antigos organizada pela Associação de Comerciantes de Lisboa e pelo Clube de Automóveis da Costa Azul e foi ali, junto ao clássico jipe verde-azeitona que elegeu como preferido, por ser “um carro de trabalho, todo-o-terreno”, que "atropelou" o responsável da Defesa.

Instada a comentar as afirmações do primeiro-ministro que, no sábado à noite, afirmou que o relatório noticiado pelo Expresso não era autêntico, Assunção Cristas acelerou. “Já tínhamos um furto que se calhar não existe, agora o relatório não existe e há um ministro que, se calhar, não compreende que também já não existe”, disse e repetiu já na acção seguinte, no Restelo. Garantindo que o CDS vai pedir “todas as explicações” sobre este relatório no Parlamento, Cristas lamentou a “descoordenação muito grande numa área sensível” e insistiu que Tancos representa “um dos piores sinais do que é a degradação do Estado nas áreas de soberania”.

Para a segunda acção do dia, Assunção Cristas chegou ao Restelo, a dois quarteirões da sua casa, acompanhada pelo marido e por um dos quatro filhos. À porta do café onde tantas vezes toma o pequeno-almoço, esperava-a uma comitiva da "jota" e alguns notáveis do partido, como Telmo Correia, candidato àquela junta de freguesia (Belém), ou o ex-eurodeputado Diogo Feio.

Cristas foi passeando pela esplanada cheia, cumprimentando alguns pelo nome, outros com um beijinho, distribuindo panfletos com o programa para a cidade e a freguesia. Desceu uns metros da rua, entrou numa mercearia, nos vários restaurantes, passou por mais uma esplanada. Sem euforias e em passo acelerado, ainda recebeu duas "negas" nesta pseudo-arruada.

Ao volante da campanha local e nacional, Cristas segue a alta velocidade para Alcobaça, onde um pavilhão repleto a espera para apoiar o candidato local. Carlos Bonifácio, que já foi vice-presidente da autarquia pelo PSD, candidatou-se há quatro anos como independente pelo CDS e retirou a maioria absoluta aos sociais-democratas. Agora, a expectativa está mais alta.

“Vi, enquanto estive no Governo, a diferença que um bom presidente da câmara pode fazer para o seu território e as suas populações. Por isso sou candidata à Câmara de Lisboa. Mas tu, Carlos Bonifácio, estás mais próximo desse objectivo. Eu lutarei até ao último dia para vir a ser tua colega como presidente da câmara, porque tu vais ser presidente da Câmara de Alcobaça”, afirmou.

Mas ainda não foi ali que estabeleceu objectivos para estas eleições. O máximo que admitiu dizer foi que espera deixar de ser o partido do táxi em número de presidentes de câmara. “Eu vi ali um [carro] maiorzinho, mas mesmo assim acho que já não vai chegar para nós. Vamos trabalhar para crescer em mandatos, em vereadores, em deputados municipais, talvez em câmaras, vamos ver”, dissera na mostra de carros antigos. As sondagens vão dando o combustível para a viagem.