As duas faces da AfD

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Alice Weidel e Alexander Gauland Fabrizio Bensch/REUTERS

Alice Weidel

A tecnocrata de 38 anos parece um pouco deslocada no partido: a viver na Suíça com a companheira, originária do Sri Lanka, com quem cria dois filhos, apresenta-se como uma possibilidade para agradar a um eleitorado liberal. Weidel tem sido atacada por viver na Suíça (ela alega que vive em ambos os países) e o jornal Die Zeit noticiava que Weidel e a companheira (que foi adoptada em bebé por um casal suíço) teriam contratado ilegalmente uma imigrante para trabalho doméstico. Weidel aparece em talk-shows apresentando-se ora como a competente gestora (“o nosso país já não é atractivo para os chineses por questões de segurança”), quer concordando com tiradas mais provocadoras de Gauland, embora sempre com a ressalva que ela própria “não usaria as mesmas palavras”.

Alexander Gauland

Alexander Gauland, 76 anos, é o incendiário de serviço. Foi ele quem disse que uma ministra do SPD deveria ser "descartada" ou "eliminada" para a Anatólia (de origem turca, a ministra nasceu em Hamburgo) ou que os alemães deviam “poder ter orgulho” no seu Exército nas duas guerras. Gauland nasceu na Alemanha de Leste (então República Democrática Alemã) e fugiu para a República Federal da Alemanha aos 18 anos. Fez carreira política na CDU, onde foi activo desde a década de 1960, sempre como uma voz muito conservadora, lamentando a perda de importância do contexto de “pátria” e defendendo a “cultura alemã”. Em 2013, foi um dos fundadores da AfD, quando este ainda era um partido dedicado a lutar contra as políticas de resgate dos países do Euro. 

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