Opinião

Das franjas para o mainstream

O PSD não pode ser o balão de ensaio das opções dos radicais.

A Europa corre o risco de não controlar, na próxima década, o avanço dos candidatos radicais que fazem do populismo o seu modus operandi para ganhar votos. Marine Le Pen em França, Geert Wilders na Holanda, Frauke Petry na Alemanha e Heinz-Christian Strache na Áustria são exemplos do crescimento destas tendências que têm capitalizado com a crise dos refugiados e com a ameaça do terrorismo.

O fantasma de uma `direita alternativa` assombra a União Europeia e faz repensar o seu modelo. A cada atentado reivindicado aumenta a incitação à discriminação e a tolerância pelo insulto público. As preocupações de identidade entre os eleitores tornaram-se o mote destes partidos e recebem, cada vez mais acolhimento, nas fileiras dos inconformados. O projeto europeu, herdado de Monnet, começa agora a ver o futuro comprometido nos seus valores fundacionais - de tolerância, respeito e liberdade.

Em Portugal também eles estão subvertidos a uma lógica de "caça votos" prosseguida por André Ventura, o candidato do PSD à Câmara de Loures. Aliás, a deriva que levou Passos Coelho a esta e a outras opções nas autárquicas, nasce de um vazio programático e de uma total ausência de candidatos credíveis no partido, situação pungente e que não é de agora. Manter André Ventura, nestas circunstâncias, revela uma teimosia obtusa que embora possa vir a resultar num sucesso eleitoral de circunstância, nunca abonará à coerência de um partido de matriz social-democrata. No fundo, esta nova experiência populista seguida pelo PSD, e em boa hora abandonada pelo CDS-PP, é mais um dos riscos mal calculados de Passos Coelho.

O PSD não pode ser o balão de ensaio das opções dos radicais e reduzir a polémica ao racismo é evitar ver o que se esconde por detrás da espuma de campanha. Num registo de evolução ideológica, os sinais dados pelo PSD não são promissores e, sobretudo, não apontam com segurança para um respeito indeclinável por um modelo de sociedade democrática que deve ser enriquecida pela diversidade étnica, cultural e religiosa dos seus cidadãos.             

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