Crítica Cinema

Uma rapariga anda sozinha pelo deserto

Sem ideias, sem imaginação, sem sentido de estilo, nada redime a sequência que Ana Lily Amirpour deu a Uma Rapariga Regressa de Noite Sozinha a Casa.

Nem Jim Carrey por redimir <i>The Bad Batch</i>
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Nem Jim Carrey por redimir The Bad Batch

Depois do êxito de Uma Rapariga Regressa de Noite Sozinha a Casa, que era um filme cujas peculiaridades lhe atribuíam um certo charme (não há muitos filmes de terror feitos no seio da comunidade iraniana emigrada nos EUA...), Ana Lily Amirpour dá sequência a uma obra que à segunda tentativa parece já não ter gás para ir muito mais longe.

Afastado tudo o que contribuía para a “especialidade” de Uma Rapariga Regressa..., do preto e branco ao “ecossistema”, resta pouco mais, em The Bad Batch, do que um reiteração desinspirada dos códigos do “filme de vingança”, construída entre as ruínas do western, a (mais que provável) inspiração de Tarantino ou Robert Rodriguez, e um inicial flirt com o chamado torture porn (a sequência de abertura, ou como uma rapariga acorda de manhã sem uma perna e sem um braço).

A narrativa é morna e cheia de figuras estereotipadas, e não é por filmar o deserto do Texas que por um passe de mágica há algum tipo de “atmosfera” a banhar o filme — que, porventura consciente disso mesmo, vive muito de “planos-efeito”, e de artimanhas visuais para encher o olho. Há uns breves momentos em que a coisa parece prometer arrebitar, nas cenas em que entra, tipo guest star, o tão desaparecido Jim Carrey na pele de um eremita encardido. Mas não: The Bad Batch é um filme aborrecido, sem ideias, sem imaginação, sem sentido estilístico, e nada (nem Carrey) o pode redimir.