O funeral dos anos 90 foi uma festa em Nova Iorque

No início do milénio, o rock precisava de um choque eléctrico e Nova Iorque entregou-o: Strokes, Interpol, LCD Soundsystem. Meet Me in the Bathroom, história oral desses tempos de excessos, mostra a última grande cena rock antes da implosão. Chega quando os LCD Soundsystem voltam aos álbuns.

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31 de Outubro de 2001. A América, ainda a refazer-se do ataque terrorista ao World Trade Center, tenta olhar para a frente. É noite de Halloween. Quatro mil pessoas juntam-se no Hammerstein Ballroom. Uma banda chamou-as: chama-se The Strokes e, acredita-se, vai salvar Nova Iorque e o rock do planeta, há demasiado tempo à procura de um novo messias.

Era o maior concerto que os Strokes, acabados de lançar o álbum de estreia, Is This It, já tinham dado em Manhattan. Estavam lá (quase) todos: Nick Zinner, guitarrista dos Yeah Yeah Yeahs, os rapazes dos Interpol, dos Radio 4 e dos Longwave, olheiros das multinacionais, modelos (Julian Casablancas, o vocalista dos Strokes, é filho do fundador da Elite Model Management e de uma antiga modelo, Miss Dinamarca em 1965), DJs, traficantes, jornalistas, fotógrafos. Havia excitação no ar. Os Strokes também estavam entusiasmados: entraram em palco ao som da parte final de The morning of our lives, canção de Jonathan Richman: “We're young now/ Right now's when we can enjoy it/ Now's the time for us to have faith in what we can do”. Aquele era o tempo deles: daquela banda e daquele povo com sede de guitarras e vontade de curar angústias e medos na era de George W. Bush e Osama bin Laden.

Por esta altura, Nova Iorque afirmava-se como a capital do rock’n’roll e os Strokes como os seus maiores embaixadores. As jaquetas de couro, as calças de ganga apertadas até aos limites da física e uns convenientes óculos de sol, que escondiam as olheiras, estavam por todo o lado. Os cinco Strokes, então na casa dos 20, tornavam-se modelo para um sem-número de bandas – dos londrinos Libertines aos Kings of Leon, americanos de Nashville, os “Strokes sulistas”.

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Theo Wargo/Getty Images

“Seis meses depois” daquele concerto de Halloween, “uma noite como aquela nunca poderia acontecido. Seis meses depois, eles já não pertenciam apenas à cidade de Nova Iorque”, diz Gideon Yago, então jornalista na MTV, no livro Meet Me in the Bathroom: Rebirth and Rock and Roll in New York City 2001-2011, uma história oral desses anos, 600 páginas classificadas pela Rolling Stone como “clássico instantâneo” da literatura rock.

A jornalista Lizzy Goodman, que estava naquele concerto de Halloween e viveu este fenómeno de perto enquanto fã de música recém-chegada a Nova Iorque, entrevistou 160 músicos, agentes da indústria, jornalistas e membros anónimos da cena nova-iorquina do início do milénio. Lançou-se na empreitada depois de, em 2011, ver os Strokes e os LCD Soundsystem, em dias diferentes, encherem o enorme Madison Square Garden, em Manhattan – era o suposto último concerto dos LCD, que regressam agora aos álbuns com American Dream (edição a 1 de Setembro). Tinha visto as duas bandas a tocar em “clubes muito pequenos” e ei-los ali como “estrelas rock” tutelares da sua geração, conta ao Ípsilon. Pareceu-lhe um momento sintomático da importância do que ela tinha vivido em Nova Iorque como fã, um fechar de ciclo, a consagração definitiva daquela era.

Houve quem lhe dissesse que era demasiado cedo para documentar aqueles acontecimentos, mas Goodman não desistiu. “Não sabia que ia levar seis anos para escrever [o livro], mas sabia que na era da internet não existe ‘demasiado cedo’”, argumenta. Podemos agradecer-lhe a persistência. Meet Me in the Bathroom é a fotografia de um grupo de indivíduos talentosos na hora e no sítio certos a escrever um novo cânone rock. É a crónica nostálgica de uma cena que parece ter acontecido há muito mais tempo, tantas foram as mudanças na forma como se consome e faz música. Com todas as histórias de boémia, rumores, amores, ódios, drogas e hype a que temos direito, é o retrato daquela que pode muito bem ser a última grande cena do rock’n’roll, antes de a internet tudo fragmentar, misturar e globalizar.

Tudo pode acontecer

Em 2001, Nova Iorque estava rendida aos Strokes e James Murphy (LCD Soundsystem) e amigos formavam a DFA Records. Mas, poucos anos antes, a cidade que oferecera ao mundo os Velvet Underground, os Ramones, os Blondie, os Television, os Talking Heads e o hip-hop, parecia um deserto para quem fazia música, dizem os entrevistados de Lizzy Goodman.

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Nos anos 90, os mapas do rock apontavam para sítios como Seattle, Londres e Manchester. Dave Sitek, dos TV on the Radio, lembra-se desses tempos. “Quando me mudei para Nova Iorque, era uma cidade dot-com. Dizia-se: ‘Ah, vais abrir uma startup de internet? Muda-te para Nova Iorque.’ Ninguém dizia: ‘Vou para lá recriar os Velvet Underground.”

James Murphy atravessou esse deserto. “Nova Iorque era horrível de caralho e eu sentia que era a coisa mais excitante do mundo. Era como estar nos subúrbios. Não havia nada lá, logo tudo era possível”, conta em Meet Me in the Bathroom. Murphy tinha passado por bandas rock de que a história não reza e especializara-se, depois, em estar nos bastidores, a tratar do som de outros grupos.

Nesta folha em branco, suja e decadente (“O metro é um porno, o chão uma sujeira”, cantariam os Interpol em NYC, um dos muitos momentos altos de Turn on the Bright Lights, de 2002), houve quem se pusesse a mexer. Um dos primeiros sinais de que algo poderia acontecer foi a vaga electroclash, o nome que se inventou para quem, como os nova-iorquinos Fischerspooner, pilhava a pop de sintetizadores e os Kraftwerk, acrescentando-lhe doses generosas de pose arty, sexo e ironia. O primeiro concerto dos Fischerspooner foi num Starbucks – um protesto, uma performance, uma pergunta: porque não?

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“O electroclash e a DFA tinham uma ideia partilhada: criar a Nova Iorque que era suposto ser em vez de te queixares sobre o quão aborrecida agora é”, resume James Murphy. “Nova Iorque tem muitos espectadores que estão à espera que algo aconteça. Se fizeres algo interessante, as pessoas vão aparecer.”

E apareceram. Apareceram para ver os Strokes enterrarem os anos 1990 do nu-metal e da enésima derivação dos Nirvana e dos Pearl Jam com canções rock simples, ponto de rebuçado de tantas coisas boas da história, e fazerem Is This It (o “melhor disco da década” para James Murphy e para o New Musical Express). Apareceram para dançar com esse mesmo James Murphy House of jealous lovers, dos The Rapture, produzido por ele e Tim Goldsworthy, e Losing my edge, duas canções fundamentais do regresso do pós-punk e do casamento entre guitarras e electrónica dos anos 2000. Apareceram para ver uns Interpol, impecavelmente trajados de fato (esta é também uma história sobre estilo), com um Paul Banks de voz grave obtida com esforço e uísque, remexerem nos monocromáticos anos 80 dos Joy Division e dos The Chameleons e impressionarem gente como os The National, uma banda então quase desconhecida que ensaiava na sala ao lado. Viram uma Karen O, que tinha sido estudante de cinema e uma desconhecida e sossegada cantora de folk travessa, absolutamente eléctrica e confiante no primeiro concerto dos Yeah Yeah Yeahs, a abrir para os White Stripes (“Eu tinha um plano. Queria subir ao palco como uma estrela punk rock a suar. Estava a vestir calças à boca de sino e uma blusa cavada branca. Não tinha sutiã.”). Viram gente como os Liars, os Radio 4 e os !!! fundirem o punk e o funk numa amálgama irresistível e que soava a presente, mesmo que buscasse inspiração nos dias de glória dos nova-iorquinos Liquid Liquid e ESG. Viram a primeira festa da DFA juntar Crazy Legs, nome histórico do breakdance, “putos punk, putos electroclash, drag queens, homens de negócios e pessoas estranhas” (memória de James Murphy).

“É impossível saber porque é que isto aconteceu, porquê estas bandas. É parte da magia, as cenas são mágicas. Mas penso que tem muito a ver com o trabalho incrível destes artistas. Talento incrível, sorte e timing, de várias maneiras diferentes”, explica Lizzy Goodman ao Ípsilon. “Por vezes, os artistas conheciam-se, outras vezes não, mas estão todos lá”, em Nova Iorque, “no tempo certo do seu desenvolvimento musical”.

A somar a isto, na ressaca do 11 de Setembro, havia uma urgência escapista e um orgulho nova-iorquino (Karen O: “Era tudo urgência, foi a razão pela qual chamámos Fever to Tell ao nosso primeiro disco. Nunca sabia quanto tempo algo iria durar; cada momento era efémero.”). Havia ainda uma nova ferramenta chamada Napster, que acelerou a forma como a música se consome e espalha pelo mundo, e uma cidade amiga dos artistas, com rendas e espaços para ensaiar “relativamente baratos”.

Em Brooklyn, as rendas ainda não tinham explodido, expulsando moradores e artistas de poucas posses. A revista Vice, que viria a tornar-se bíblia dos hipsters que Nova Iorque gerou e inspirou, tinha escritório num prédio de Brooklyn onde ensaiavam os Interpol e prostitutas trabalhavam à vista de todos. “Nós dizíamos: ‘Importa-se?’. E elas olhavam para nós, do género: ‘Estais na nossa casa, cabrões’. E nós: ‘Certo, desculpe’”, recorda Suroosh Alvi, fundador da Vice.

Ambição e traição

Na Nova Iorque em ebulição descrita em Meet Me in the Bathroom duas entidades brilham mais do que outras: os Strokes, claro, a banda que abriu caminho para tantas outras, e James Murphy, fundador da DFA e mentor dos LCD Soundsystem.

“É importante saber que os Strokes não eram assim tão conscientes da história do rock, não eram mesmo”, garante Lizzy Goodman, amiga de velha data do guitarrista Nick Valensi (trabalharam juntos num restaurante). “É difícil acreditar, tendo em conta tudo o que aconteceu, mas eles não sabiam nada sobre o CBGB [mítica sala de concertos nova-iorquina fundada em 1973, um dos berços do punk] nem sobre a Patti Smith. Não conheciam. Conheciam Lou Reed e Nirvana, eram miúdos do rock alternativo como o resto de nós, adoravam Guided by Voices, indie rock americano, e era isso que achavam que iam ser.” No livro, conta-se a história de como Fabrizio Moretti, baterista dos Strokes, foi cumprimentado por Joe Strummer, dos Clash, e não o reconheceu.

Já James Murphy sabia tudo o que havia para saber sobre a história da música. Conhecia o punk, o indie rock, os Can, os Silver Apples e uma infinidade de artistas obscuros. Misturava a diva disco Donna Summer com os psicadélicos Hawkwind nas suas actuações enquanto DJ.

Antes de fundar a DFA e os LCD Soundsystem, James Murphy aproximou-se da música de dança. Meet Me in the Bathroom descreve o momento em que Murphy experimentou ecstasy pela primeira vez, episódio simbólico da sua rendição à música de pista. “Era eu completamente que ali estava”, recorda Murphy. “Era eu a dançar. Não eram as drogas que dançavam. Eram as drogas a impedir-me de me impedir de dançar.” A vida dele “mudou completamente ali”, contou David Holmes, DJ nessa noite.

Mais mudanças viriam. Murphy apostara nos The Rapture, fazendo dela a banda “mais perigosa” e “fixe do mundo”. Moldou à sua imagem e semelhança canções como House of jealous lovers (2002), que se tornou um clássico imediato (excitou os mundos do rock e da música de dança, cada vez mais unidos). Com a ajuda de Murphy, os Rapture, saídos dos cantos mais esquisitos do hardcore, tornavam-se máquina dance-punk.

“Era suposto que [os Rapture] fossem o veículo para a dominação do mundo pela DFA”, confessou James Murphy a Lizzy Goodman. Mas a banda “traiu” a DFA, assinando um contrato milionário com uma multinacional, e Murphy, que sabia operar um estúdio e tocar todos os instrumentos necessários para fazer música daquele tipo, decidiu vingar-se. “Fui à EMI e disse: ‘Tenho uma banda agora’.”

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Eram os LCD Soundsystem. “Nova Iorque é uma cidade competitiva”, atesta Lizzy Goodman, e James Murphy usou esse “espírito competitivo” para fazer dos LCD o que são hoje, “uma das bandas mais influentes e culturalmente importantes” do mundo. Saiu dos bastidores e tornou-se um frontman, já depois de completar 30 anos.

“Uma das coisas que adoro no James como personagem é que ele diz a verdade, ele parece compreender-se a si mesmo e está disponível para falar honestamente sobre o que o motiva e sobre como trabalhar com ele pode ser difícil. Ele tem muita consciência de si mesmo. O início de Meet me in the Bathroom é quando o James Murphy desistiu da ideia de procurar o estrelato rock convencional. Ele não está mais interessado nisso, acha que o tempo dele para isso passou e dedica-se a esta editora [a DFA], à produção e a usar, como ele diz, os Rapture como a sua banda, a banda que iria trabalhar para fazer dos seus membros estrelas rock. Ele disse: ‘O Luke [Jenner, vocalista dos Rapture] era a minha estrela rock. Quando isso colapsa, quando os Rapture saem da DFA e há esta separação, motiva o James a tornar-se o James Murphy que hoje conhecemos, a formar a sua banda e a derrubá-los, a derrubar toda a gente. Ele disse muito abertamente que foi motivado por vingança.”

O gangue e os outros

Se James Murphy era um homem com um plano, os Strokes nunca tiveram guião. “Há algo de muito fixe em ser parte de uma coisa que ajudou a abrir a porta. Ser o primeiro numa sala é muito excitante. Mas o que inevitavelmente acontece é que outras pessoas aparecem e acabam por ter muito mais sucesso do que tu”, reconhece o guitarrista Nick Valensi.

Eram criticados por serem privilegiados (Casablancas tinha pais ricos e influentes; Hammond mudou-se para Nova Iorque com o dinheiro do pai, músico de sucesso, que pagou também os instrumentos da banda; os cinco andavam em escolas privadas e tinham carros – carros em Nova Iorque!), mas os Strokes retratados em Meet Me in the Bathroom são uma “banda a sério”, cinco tipos com nomes dignos de estrelas (leia-os em voz alta: Julian Casablancas, Albert Hammond Jr., Nick Valensi, Fabrizio Moretti, Nikolai Fraiture), um “gangue” capaz de destruir um hotel se a boémia para aí o levar. São também, admitem alguns observadores, uma projecção – a imprensa musical precisava de fazer novos heróis e, de repente, tinha ali cinco rapazes negligentemente cool e, bónus, com óptimas canções.

Por causa disso havia pressão em cima deles. “Eles estavam a ser observados e sabiam que estavam a ser observados”, conta Mark Spitz, jornalista e escritor de livros sobre rock, falecido este ano. Havia questionáveis decisões de carreira, como recusar ceder uma música para um anúncio da Heineken. E havia excessos, muitos, com álcool e drogas, inclusive heroína – um vício que Albert Hammond Jr., a quem o sucesso deprimia, alega ter adquirido com o empurrão do músico e então amigo Ryan Adams, algo que este nega. Fabrizio Moretti nunca se sentiu “confortável” na pele de estrela e Nick Valensi experimentou “montes de drogas” para aguentar. Havia dinheiro, muito dinheiro (na primeira metade da década ainda se vendiam grandes quantidades de discos); o álcool e as drogas apareciam com naturalidade no backstage, nos hotéis, em todo o lado por onde os Strokes passassem.

Albert Hammond Jr. conta um episódio relevador passado numa digressão conjunta dos Strokes e dos então emergentes Kings of Leon, dos irmãos Caleb e Jared Followill. “Andava a snifar imensa cocaína e o que era engraçado é que, quando eu e o Caleb snifávamos, ele dizia: ‘Não digas nada ao Jared sobre isto’. Depois, snifava com o Jared e ele dizia: ‘Não digas ao Caleb’. Andava de um lado para o outro. Entretanto, drogava-me a dobrar.”

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Os discos, esses, não mais repetiram o brilho de Is This It. Room on Fire (2003), o segundo álbum, não mereceu consenso (foi criticado por repetir a fórmula), First Impressions of Earth (2006) ainda menos (foi criticado por mudar demasiado a fórmula). Tinha “deixado de ser divertido”, conta Hammond.

Lizzy Goodman reflecte: “Há uma inevitabilidade quando és tão grande e adorado como os Strokes logo no primeiro EP que vá haver uma reacção negativa, independentemente do que aconteça. Não havia nenhum segundo disco que eles pudessem fazer que satisfizesse toda a gente. O caso deles é particular porque foram os primeiros e os maiores, não em termos de vendas, mas da ideia revolucionária do cool de Nova Iorque. Tornaram-se alvos.”

As últimas estrelas rock

Com os anos 2000 a avançar para o seu fim, o fulgor dos Strokes perdera-se – como também o dos Yeah Yeah Yeahs, dos Interpol, dos The Rapture e outras figuras de Nova Iorque. Mas aquela leva de bandas e discos energizou outras cenas rock, da América (Kings of Leon e The Killers, ambos fãs dos Strokes, venderiam muito mais do que eles) à Inglaterra (The Libertines), da Suécia (The Hives) à Austrália (The Vines) e à Escócia (Franz Ferdinand, estes sem o omnipresente “The” da época pós-The Strokes).

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emily wilson

Mesmo sem um segundo Is This It, a revolução estava em curso. “Sabes quando dizem que os Black Flag meteram-se numa carrinha e levaram o punk rock ao mundo? Os Strokes meteram-se num autocarro e levaram o ‘downtown cool’ ao mundo. A par da internet, eles estavam a mudar tudo, não apenas a música. Estavam a mudar atitudes. Faziam Nova Iorque viajar com eles”, conta Marc Spitz. Um novo uniforme rock’n’roll impôs-se: sapatilhas Converse, cabelo oleoso ou cuidadosamente desgrenhado, calças apertadas, jaquetas de couro ou ganga onde se prendia um ou outro crachá.

Entretanto, em Nova Iorque, a cena mudou, pondo os holofotes em grupos como os Vampire Weekend e Grizzly Bear, menos hedonistas, com menos glória e decadência rock, mais calculistas e sensatos. Mas aqueles anos eufóricos do início do século não se apagam. “Disse que os Strokes fizeram o meu disco da década. Is This It. Quando as pessoas criticavam o álbum, eu dizia: ‘Dizes isso agora, mas garanto-te que vais estar num churrasco, dentro de dez anos, a ouvir isto e a dizer ‘Adoro este disco’”, afirma James Murphy. Suroosh Alvi, da Vice, vai mais longe: “Por mais que se fale sobre os Strokes, sobre como eles estragaram tudo [na sua carreira], sobre como os discos deles agora não prestam, não há ainda ninguém mais cool. Eles são o último exemplar dessa marca particular de rock cool. São as últimas estrelas de rock a sério.”

Albert Hammond Jr., que venceu as drogas e manteve-se nos Strokes, resume: “Quando olho para trás e vejo fotografias nossa, sinto essa energia. Eu era um deles. Olho para trás e digo: ‘Quero ser um deles’.”