Fotógrafos portugueses apoiam boicote cultural a Israel

No Dia Mundial da Fotografia, que se comemora este sábado, criadores, professores e estudantes da disciplina tornam público o seu compromisso de não cooperar com o Governo israelita, em protesto contra a opressão exercida sobre os palestinianos.

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Imagem de prédio residencial destruído durante a ofensiva israleita de 2014 na Faixa de Gaza Reuters/MOHAMMED SALEM

Cerca de 40 fotógrafos e professores e estudantes de fotografia portugueses tornam este sábado pública a sua adesão ao boicote cultural a Israel, comprometendo-se a “não aceitar convites profissionais ou financiamentos do Estado israelita ou cooperar com qualquer instituição ligada ao seu governo, até que Israel cumpra com a lei internacional e os princípios universais de direitos humanos”.

O anúncio deste compromisso, divulgado pelo Comité português de Solidariedade com a Palestina (CSP), coincide com o Dia Mundial da Fotografia, que se celebra a 19 de Agosto. João Pina, o vencedor da mais recente edição do prémio de fotojornalismo Estação Imagem, o professor de fotografia José Soudo ou o fotógrafo João Henriques, que ganhou o prémio Novos Talentos da Fnac em 2015,  são alguns dos que agora juntaram os seus nomes a este documento, que tem a sua origem no apelo a um boicote cultural a Israel lançado em 2004 por artistas e trabalhadores palestinianos.

Integrado no movimento global BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) e inspirado na campanha internacional desenvolvida nos anos 80 contra o apartheid sul-africano, o boicote justifica-se, segundo os seus promotores, pelo facto de Israel se servir instrumentalmente da cultura para branquear a opressão exercida sobre os palestinianos.

No comunicado enviado à imprensa, o Comité de Solidariedade com a Palestina (CSP) observa que Israel foi “considerado o segundo país mais letal para jornalistas”, numa referência a um relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras relativo a 2014, que coloca a Síria no topo desta lista negra, com 15 jornalistas mortos, e logo a seguir a Palestina, com sete. Mas a referência à Palestina, argumenta o CSP, é equívoca, já que todos os jornalistas em causa teriam sido mortos durante a ofensiva militar que Israel lançou no Verão de 2014 na Faixa de Gaza.

O boicote cultural a Israel conta hoje com o apoio expresso de um considerável número de artistas em todo o mundo, incluindo os músicos Roger Waters, Brian Eno, Elvis Costello ou Lauryn Hill, realizadores como Jean-Luc Godard, Mike Leigh, Ken Loach, Mira Nair, as escritoras Alice Walker e Naomi Klein, ou ainda os actores Mark Rylance e Emma Thompson.