Colecção Miró também vai ser mostrada em Lisboa

Juan Miró: Materialidade e Metamorfose, a mostra que esteve patente em Serralves, será exposta em Lisboa, a partir de 8 de Setembro. No Porto atraiu mais de 240 mil visitantes entre Outubro de 2016 e Junho de 2017.

A inauguração na Casa de Serralves, em 2 de Outubro de 2016, registou uma verdadeira enchente
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A inauguração na Casa de Serralves, em 2 de Outubro de 2016, registou uma verdadeira enchente Paulo Pimenta

A partir de Setembro, também Lisboa poderá admirar Miró. Será nesse mês que inaugurará no Palácio da Ajuda Juan Miró: Materialidade e Metamorfose, a exposição do pintor catalão criada a partir da colecção, outrora propriedade do BPN, que o Estado português decidiu manter na sua posse depois um longo e conturbado processo. Inaugurada no Museu de Serralves em Outubro de 2016, manteve-se patente, com grande sucesso, até Junho deste ano — atraiu mais de 240 mil visitantes, apurou o PÚBLICO. Em Lisboa, estará patente na Galeria D. Luís do Palácio da Ajuda entre 8 de Setembro e 8 de Janeiro de 2018. A inauguração terá lugar a 7 de Setembro.

A exposição, comissariada por Robert Lubar Messeri, engloba várias décadas do percurso de Miró e as transformações que a sua obra sofreu nas mais diversas expressões e nos materiais utilizados (o arco temporal da mostra vai de 1924 a 1981). No Palácio da Ajuda estarão as mesmas peças que o público já pôde admirar na Casa de Serralves, cuja arquitectura modernista foi adaptada para a ocasião por Álvaro Siza. As quase 80 obras em exposição abarcam trabalhos de desenho e pintura, em tapeçaria (os Sobreteixins, que significa “sobre tecido” em catalão, dos anos 1970, por exemplo) ou colagens como as criadas na década de 1930 com material litografado, entre outros.

Juan Miró: Materialidade e Metamorfose inaugurará no Palácio da Ajuda após a assinatura de um protocolo entre a Direcção-Geral do Património Cultura (DGPC) e a Fundação de Serralves, voltando a colecção posteriormente para Serralves. Tendo em conta os números de afluência no Porto, prevê-se que a mostra rivalize com o grande sucesso expositivo no monumento assinalado em 2013, quando as obras de Joana Vasconcelos ocuparam aquele espaço histórico, atraindo 235 mil visitantes.

A colecção de Juan Miró (1893-1983), um dos mais importantes artistas do século XX – após a morte de Picasso, dez anos antes da sua, foi mesmo considerado “o” mais importante artista mundial vivo -, ficou definitivamente na propriedade do Estado Português depois um conturbado processo em que esteve iminente a sua venda em leilão na Christie's, em Londres.

As 85 obras que compõem a colecção reverteram para o Estado no processo de nacionalização do BPN, que as havia adquirido em 2006 a um coleccionador japonês por 34 milhões de euros. O governo do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho decidiu pela sua venda, esperando reunir dessa forma 35 milhões de euros que seriam utilizados para abater o chamado “buraco” do BPN. O leilão acabaria por ser cancelado pela Christie’s devido a incertezas legais relativas à operação, regressando posteriormente a Portugal. Seria o governo actual, liderado por António Costa, a decidir a sua manutenção no país. A colecção foi entregue à Câmara Municipal do Porto, com depósito na Fundação de Serralves. Ali ficou exposta até Junho. Em Setembro, será a vez de Lisboa a receber.