O combate à pobreza em Lisboa recebeu um novo fôlego

Vai ser criado um observatório a nível nacional para combater a pobreza à semelhança do que já existe na capital. Câmara e Rede Anti-Pobreza assinaram protocolo.

Para João Afonso, vereador dos Direitos Sociais, o protocolo permite dar a conhecer os dados da pobreza numa perspetiva comum, através de uma visão independente e autónoma.
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Para João Afonso, vereador dos Direitos Sociais, o protocolo permite dar a conhecer os dados da pobreza numa perspetiva comum, através de uma visão independente e autónoma. Miguel Madeira

Um observatório a nível nacional de luta contra a pobreza irá abrir portas em Setembro deste ano. O projecto da EAPN (Rede Europeia Anti-Pobreza, na sigla inglesa) Portugal, anunciado há dois meses, está agora prestes a ser concretizado, informou nesta quarta-feira a organização durante a sessão de assinatura de um protocolo com a Câmara de Lisboa.

O observatório nacional surge da necessidade de ter conhecimento acerca da pobreza noutras cidades, à semelhança do que está a ser feito em Lisboa. A sua criação permitirá o desenvolvimento de novas estratégias de combate à pobreza em todo o país, espera a organização.

Enquanto se aguarda a sua inauguração, na capital tenta-se pôr no terreno ferramentas que permitam melhor combater a pobreza através deste acordo em que a autarquia se compromete a apoiar o Observatório de Luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa. "Tem de se enfrentar este problema grave da sociedade portuguesa, que é a expressão da injustiça, da desigualdade em que vivemos e de uma democracia que não se concretiza no respeito pelos direitos e pelo desenvolvimento integral de cada ser humano”, disse Agostinho Moreira, presidente da EAPN Portugal.

O protocolo, cuja assinatura Agostinho Moreira considera um momento histórico, pretende desenvolver ferramentas que vão permitir que os agentes sociais da cidade, com mais conhecimento sobre a situação vivida em Lisboa, melhorem a actuação no combate à pobreza e exclusão social.

O presidente da Rede Europeia Anti Pobreza destaca a necessidade de se trabalhar em rede, sublinhando que quem está no terreno enfrenta ainda vários obstáculos como a falta de dados em relação ao problema  em Portugal.

O vereador dos Direitos Sociais da câmara de Lisboa, João Afonso, acredita que o observatório permite “ter uma visão independente e autónoma msa também um olhar comum, ou seja, dos cidadãos sobre o que é que é a pobreza e como é que eles vêem a pobreza, como é que eles lutam contra a pobreza.”

Para o Observatório da Luta contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, o protocolo abre portas para chegar a mais fontes que nem sempre estão disponíveis, acrescenta Sérgio Aires, director do Observatório.

O Observatório da Luta contra a Pobreza irá, a partir do segundo semestre do ano, realizar um ciclo de encontros sob o nome “Encontros imediatos de muitos degraus”. Os encontros “têm o objectivo de auscultar as pessoas e instituições no terreno sobre quais deveriam ser as prioridades da luta contra a pobreza na cidade e, numa segunda fase, ver como essas prioridades se combinam numa estratégia”, adianta o director do Observatório.

Texto editado por Ana Fernandes