R. Kelly acusado de aprisionar mulheres e de liderar "culto"

Várias mulheres disseram ao BuzzFeed News que o cantor as controlava mentalmente e que abusava delas emocional, física e sexualmente. Advogada do artista fala em "difamação".

Mario Anzuoni/reuters
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O cantor R. Kelly está a ser acusado por várias mulheres de as ter abusado psicológica, física e sexualmente, naquilo que as alegadas vítimas consideram ser um “culto” liderado pelo autor da canção I believe I can fly.

A nova polémica que envolve a estrela do R&B de 50 anos surge numa investigação do BuzzFeed News, que publica vários testemunhos desta espécie de tortura psicológica e emocional. Segundo o artigo, desde o Verão do ano passado pelo menos cinco mulheres, duas das quais adolescentes, passaram por esta situação.

Em concreto, as famílias das alegadas vítimas, bem como três conhecidas do cantor, contam que Kelly as controlava, ordenando o que deveriam vestir e o respectivo comportamento a ser seguido por cada uma. Uma delas, Cheryl Mack, relata: “Tinha de pedir por comida. Tinha de pedir para usar a casa de banho”. “É um mestre em controlo mental”, acrescenta.

Além disso, conta-se que R. Kelly confiscava os telemóveis das mulheres, filmava a actividade sexual que mantinha com elas para mostrar aos amigos e exigia que lhe pedissem permissão para sair das divisões da casa em que se encontravam. E tinham que o tratar por “daddy” (paizinho).

Em concreto, uma das testemunhas ouvidas pelo BuzzFeed diz que foi encostada a uma árvore e agredida por ter sido “demasiado simpática” com um empregado de uma cadeia de fast food americana.

A mãe de uma mulher que ainda vive com Kelly relatou também aquilo com que se deparou da última vez que esteve com a filha, em Dezembro de 2016: “Foi como se ela tivesse feito uma lavagem ao cérebro. Parecia uma prisioneira. Foi horrível. E abracei-a e abracei-a. Mas ela só dizia que estava apaixonada, e que [Kelly] é aquele que toma conta dela”.

Outras mães de mulheres que fazem parte desta entourage do artista relatam situações do género, afirmando que não falam com as filhas há meses.

Também ao BuzzFeed, a advogada de Kelly negou todas as acusações, atribuindo-as a pessoas que o querem “difamar”. Linda Mensch garante que o cantor “trabalha no duro para se tornar na melhor pessoa e no melhor artista possível”.

Em 2007, Kelly foi acusado por pornografia infantil. E por manter relações sexuais com uma menina de 13 anos, fazendo uma gravação do acto. No entanto, nunca foi condenado.