Jane Fonda e Robert Redford homenageados pelo Festival de Veneza

Os dois actores americanos vão receber o Leão de Ouro pelas suas carreiras no dia 1 de Setembro, data da estreia no festival italiano do novo filme de ambos, Our Souls at Night, com a chancela Netflix.

Roberto Redford e Jane Fonda têm em <i>Our Souls at Night</i> o seu quarto encontro nos ecrãs
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Roberto Redford e Jane Fonda têm em Our Souls at Night o seu quarto encontro nos ecrãs DR

Depois do anúncio de que Annette Bening será a presidente do júri, duas outras stars do cinema norte-americano vão receber uma atenção especial na 74.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que decorre de 30 de Agosto a 9 de Setembro. São elas Jane Fonda e Robert Redford, que no dia 1 de Setembro receberão, cada um, um Leão de Ouro pelas suas carreiras.

A decisão, divulgada esta segunda-feira, foi tomada pelo presidente da bienal italiana, Paolo Baratta, sob proposta do director da mostra de cinema, Alberto Barbera. “Poucas lendas de Hollywood demonstraram tanta determinação e coragem ao longo da sua carreira profissional como Jane Fonda”, diz Barbera, citado no comunicado do festival. E acrescenta: “A sua vida foi marcada por uma intensa paixão na defesa da liberdade contra qualquer tipo de conformismo, sempre com uma generosidade simultaneamente tocante e vulnerável."

Depois de lembrar que a actriz de Klute (Alan J. Pakula, 1971) e O Regresso dos Heróis (Hal Ashby, 1978), filmes que lhe valeram dois Óscares, foi sucessivamente activista dos direitos sociais e políticos, sex symbol e ícone feminista, escritora e produtora, Barbera classifica Fonda como “uma actriz extraordinariamente talentosa e bem-sucedida”, e “uma das grandes protagonistas do cinema contemporâneo mundial”.

Já sobre Robert Redford, o director da bienal veneziana de cinema enumera também a multiplicidade de “papéis” que ele tem desempenhado ao longo de quase cinco décadas de actividade: actor, realizador, produtor, militante ecologista, fundador e alma do Festival de Sundance... “Seja à frente ou atrás das câmaras, advogando a causa do cinema independente ou a do nosso planeta”, Robert Redford presenteou-nos com “uma carreira cinematográfica incontornável aliando rigor, inteligência e uma elegância difícil de ultrapassar”, acrescentou Barbera. Lembrando tratar-se também de uma figura já distinguida com os Óscares de Hollywood – melhor realizador com Gente Vulgar, em 1980; e uma estatueta honorária, em 2002 –, o director de Veneza lembrou que Redford, qual “estrela relutante”, usou o seu talento e sucesso no grande ecrã para fazer filmes sobre temas que o preocupavam, "abrindo assim o caminho para outros cineastas independentes como ele”.

A cerimónia de entrega dos Leões de Ouro a Fonda e Redford vai ocorrer na noite de 1 de Setembro, a anteceder a antestreia mundial do novo filme de ambos, Our Souls at Night, realizado por Titesh Batra e produzido pelo próprio Redford através da sua empresa Wildwood Enterprises, mas com a particularidade de ter a chancela Netflix, com estreia no cabo agendada para o final do ano.

Depois da polémica suscitada este ano em Cannes pela inclusão na selecção oficial de duas outras produções Netflix, Okja, de Bong Joon Ho, e The Meyerowiitz, de Noah Baumbach, que motivou vaias na sala, o boicote do júri presidido por Pedro Almodóvar e a decisão da direcção do festival francês de, a partir do próximo ano, não aceitar filmes em competição que não tenham garantida distribuição em sala, fica agora a expectativa de ver como é que Veneza vai reagir ao tema, e à importância cada vez maior que este serviço de streaming está a conquistar na indústria do audiovisual.

Baseado no romance de Ken Haruf e adaptado por Scott Neustadter e Michael H. Weber, Our Souls at Night encena uma história passada numa pequena cidade do Colorado, em que Jane Fonda e Robert Redford encarnam as personagens de dois vizinhos, Addie e Louis, ambos viúvos, que a dado momento passam a conhecer-se melhor.

Our Souls at Night marca o terceiro encontro dos dois actores nos ecrãs, depois de Perseguição Impiedosa (Arthur Penn, 1966), Descalços no Parque (Gene Saks, 1967) e O Cowboy Eléctrico (Sidney Pollack, 1979).