Controlo do SEF continua a causar longas filas à chegada ao aeroporto de Lisboa

Falta de funcionários gera longas filas no controlo de passaportes para passageiros provenientes de países exteriores ao espaço Schengen.

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A fila para o controlo de passaportes registada recentemente por um passageiro proveniente dos Estados Unidos, que cedeu esta imagem ao PÚBLICO DR

Chegar a Lisboa depois de uma longa viagem de avião e ainda ter de esperar duas horas numa fila não está nos planos de nenhum passageiros. Mas é o que tem acontecido com frequência no aeroporto Humberto Delgado. O Diário de Notícias escreve neste sábado que existem filas de espera de duas a três horas, segundo testemunhos ouvidos no aeroporto Humberto Delgado, para o controlo documental feito pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) a passageiros provenientes de países exteriores ao espaço Schengen. O PÚBLICO também ouviu de relatos de longas filas de espera por parte de passageiros que chegam a Lisboa de voos intercontinentais, nomeadamente da América do Norte e do Sul, bem como de África.

Este tempo de espera ultrapassa em muito o limite estabelecido em Janeiro por Constança Urbano de Sousa. A ministra da Administração Interna (que tutela o SEF) tinha definido que uma das metas operacionais para este ano era “fixar em menos de 40 minutos o tempo máximo de espera de processamento no controlo de fronteiras”.

A direcção do SEF garante que estas longas filas de espera são situações pontuais, mas este tipo de situações pode ocorrer com mais frequência devido ao aumento de passageiros e ao reduzido número de funcionários. À espera da autorização do Ministério das Finanças está um concurso que permitirá a entrada de 200 novos inspectores.

As reclamações sobre a falta de recursos do SEF já chegavam em Maio. Na altura, dirigindo-se a Constança Urbano de Sousa, o presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização (SCIF) do SEF, Acácio Pereira, afirmava que a falta de recursos humanos no SEF era “insustentável para todos”, sobretudo para os passageiros dos aeroportos – especialmente o de Lisboa – e para as companhias aéreas, empresas aeroportuárias e para os próprios inspectores, que se encontram sobrecarregados.

“A situação a que chegaram as listas de espera de passageiros nos portos e aeroportos portugueses, em especial no maior de todos, o aeroporto de Lisboa, são um atentado à imagem do país e constituem-se hoje num dos maiores entraves ao desenvolvimento de alguns dos mais dinâmicos sectores de actividade económica em Portugal”, referiu na altura, acrescentando que o SEF não admitiu “um único inspector” em 14 anos.

Agora, ao Diário de Notícias, Acácio Pereira diz que “a situação está muito pior”, explicando que os recursos são poucos e “o fluxo de chegadas fora do espaço Schengen está a aumentar” e que os turistas não gostam de esperar horas depois de uma viagem já por si cansativa. “É preciso não esquecer que o turismo vive de experiências e esta não é seguramente a melhor para quem nos visita”, conclui.