Jonas Palm e Nadja Reich vencem Prémio Suggia/Casa da Música

Violoncelistas conquistaram primeiro lugar ex aequo da quinta edição do prémio internacional.

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Paulo Pimenta

Os violoncelistas Jonas Palm e Nadja Reich conquistaram o primeiro-lugar ex aequo da quinta edição do Prémio Internacional Suggia/Casa da Música, no Porto, instituído em 2009, em homenagem à violoncelista portuguesa Guilhermina Suggia, anunciou a instituição neste sábado.

A final do prémio bienal, que visa apoiar músicos em início de carreira, realizou-se na noite de sexta-feira, num concerto com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, dirigida pelo maestro Pedro Neves.

O violoncelista alemão Jonas Palm nasceu em 1993, estudou com o violoncelista francês Jean Guihen Queyras, que foi colaborador do compositor Pierre Boulez, e com Conradin Brotbek, da Universidade de Estugarda, antigo aluno de Pierre Fournier, Janos Starker e Jacqueline Du Pré, vencedora do Prémio Suggia, da Royal Academy of Music. Palm frequenta o Mozarteum, em Salzburgo, sob orientação de Clemens Hagen.

Foi distinguido pelo Concurso Alemão de Música e pela Universidade Mendelssohn Bartholdy, entre outras instituições. Em 2014 foi indicado pela violetista Tabea Zimmermann, para o programa da Casa Beethoven, em Bona. Publicou o primeiro disco em 2015, com obras de Beethoven, Mendelssohn, Janácek e Dutilleux. Conquistou o Prémio Suggia da Casa da Música com a interpretação do Concerto para violoncelo e orquestra, em Si menor, op. 104, de Antonín Dvorák.

Nadja Reich nasceu em Berlim, estudou com Jens Peter Maintz e Matias de Oliveira Pinto, na Alemanha, e trabalha com Thomas Grossenbacher, em Zurique. Venceu o Concurso Paul Hindemith, em 2011, apresentou-se como solista na Filarmónica de Berlim e com a orquestra jovem da Sinfónica de Berlim. Bolseira do Fundo Cultural Rahn, foi distinguida nos concursos Kiwanis e Orpheus, na classe de música de câmara. Conquistou o Prémio Suggia, no Porto, com a interpretação do Concerto para violoncelo e orquestra, em Si menor, op. 104, de Antonín Dvorák.

O violoncelista húngaro Balázs Renczés, o outro finalista do Prémio Suggia, nasceu em 1994, estudou com György Déri, na Academia de Música Franz Liszt, e com Robert Irvine, no Conservatório Real da Escócia. Venceu o Prémio Suggia/Help Musicians, no Reino Unido, os prémios da cidade de Padova (Agimus) e do Conservatório Real da Escócia. No Porto, interpretou Variações sobre um tema rococó, para violoncelo e orquestra, op. 33, de Piotr Tchaikovski.

O júri desta edição foi composto pelos violoncelistas Maria de Macedo, ex-solista da Orquestra Gulbenkian, antiga aluna de Pierre Fournier e Janos Starker, de quem foi professora assistente, vencedora do Prémio Suggia e da bolsa Fullbright, e por Paulo Gaio Lima, que se destacou como solista, professor da Escola Superior de Música de Lisboa, antigo aluno de Maurice Gendron, no Conservatório de Paris. Maria de Macedo e Paulo Gaio Lima têm em comum a formação inicial com Madalena Sá e Costa, que foi discípula de Guilhermina Suggia, no Porto, e que é descrita como a herdeira do seu legado musical.

Fez também parte do júri o violoncelista e pedagogo francês Romain Garioud, formado no Conservatório de Paris, vencedor dos prémios Tchaikovsky, em Moscovo, Rostropovitch, em Paris, e que trabalhou com intérpretes como Anner Bylsma e Steven Isserlis.

Os vencedores das edições anteriores do Prémio Suggia/Casa da Música foram Konstanze von Gutzeit, da Universidade das Artes de Berlim (2009), Michael Petrov, da Guildhall School of Music and Drama, em Londres (2011), Ivan Karizna, do Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris (2013), e Stéphanie Huang, do Conservatório Real de Bruxelas (2015).

Os premiados deste ano actuarão com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, em 2018.

A Royal Academy of Music instituiu originalmente, em 1951, o Prémio Guilhermina Suggia, com base em disposições testamentárias da violoncelista portuguesa, com o objectivo de apoiar a pós-graduação de jovens músicos.