Rovisco Duarte sente-se "humilhado" e fala de "erros inadmissíveis" do comando da base

Chefe de Estado-Maior do Exército confirmou aos deputados que o material roubado foi mesmo aquele que o jornal El Español noticiou.

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LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

O chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), Rovisco Duarte, confirmou nesta quinta-feira aos deputados que a lista de armamento que desapareceu dos paióis de Tancos é a publicada pelo jornal El Español passado domingo, apurou o PÚBLICO junto de várias fontes. O Exército ainda não tinha confirmado oficialmente que eram aquelas as quantidades de material roubado.

Assumindo que se sente “humilhado” com o caso, Rovisco Duarte sublinhou durante a audição parlamentar que a situação reflecte um problema de comando e disse ter registado “erros estruturais inadmissíveis” que só podem ser assacados ao comando. Rovisco Duarte disse não compreender como é que existiu um intervalo de 20 horas entre rondas e acrescentou que se uma secção cumprisse as rondas teria sido suficientemente dissuasor para os assaltantes. Segundo a SIC, declarou que havia dois buracos na vedação e que as portas dos paóis não eram blindadas. Mas o general rejeitou a tese de que teria havido ali furtos sucessivos e disse acreditar que a situação não se voltará a repetir.

O responsável explicou que a exoneração de cinco comandantes, anunciada pelo próprio no sábado, serviu para abanar o sistema e considerou que era mesmo necessário que os visados não permanecessem nas unidades. Com o argumento de não perturbarem as investigações, foram exonerados, ainda que temporariamente, o comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reacção Rápida, o comandante do Regimento de Infantaria 15, o comandante do Regimento de Paraquedistas, o comandante do Regimento de Engenharia 1 e o comandante da Unidade de Apoios Geral do Material do Exército.

Entre o material roubado estão granadas de mão, granadas-foguete antitanque e explosivo plástico, além de munições de 9 milímetros.

No final da audição na comissão de Defesa, que decorreu à porta fechada, o presidente da comissão, Marco António Costa, agradeceu a “total franqueza” usada por Rovisco Duarte nos esclarecimentos dados.