Drone obriga ao desvio de voos no aeroporto de Gatwick, em Londres

A Easyjet foi obrigada a desviar quatro voos e a British Airways um.

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Portugal também já vai no 14º incidente com drones desde o início do ano Charles Platiau/ Arquivo

Um drone que voou perto do aeroporto de Gatwick, em Inglaterra, levou ao encerramento da pista e forçou cinco voos a serem desviados. O porta-voz do aeroporto de Londres afirmou que a pista foi encerrada por dois períodos de tempo, um por nove minutos e outro por cinco minutos, no domingo.

A companhia aérea Easyjet disse, em comunicado citado pela BBC, que foi obrigada a desviar quatro voos. Por sua vez, a British Airways reencaminhou um avião para o aeroporto de Bournemouth. Outros aviões, como medida preventiva, tiveram que sobrevoar o aeroporto até terem permissão de aterragem.

A polícia de Sussex, responsável pelo policiamento do município de Sussex, no Sul da Inglaterra, está a investigar o caso. "As operações no aeroporto já voltaram à normalidade e a polícia está a investigar”, explicou o porta-voz do aeroporto.

Craig Jenkins, que estava num voo da Easyjet que provinha de Nápoles, na Itália, contou que quando o avião estava a sobrevoar o canal da Mancha começou a andar às voltas. “Fez quatro ou cinco círculos até que o comandante disse que íamos aterrar em Stansted e não em Gatwick", explicou o passageiro à BBC. “Primeiro, a tripulação disse-nos que o aeroporto de Gatwick estava fechado por causa de um incidente. Pouco depois, disseram-nos que era um drone".. 

Legislação começa a mudar

Em Novembro de 2016, o código sobre drones do Reino Unido foi revisto para garantir a segurança dos aviões.

O especialista em segurança no voo da associação de pilotos da British Airline, Steve Landells, afirma que a ameaça de drones perto de aviões "deve ser abordada antes de ver haver um desastre". "Uma colisão, sobretudo com um helicóptero, pode ser catastrófica", disse Landells. A associação de pilotos pede a criação de um registo obrigatório para todos os utilizadores de drones. 

A associação avança uma possível solução para o problema. O desenvolvimento de um sistema onde o drone transmite dados suficientes para que a polícia saiba a sua exacta localização e quem é o seu operador.

Em Abril, a Comissão do Reino Unido para as Colisões entre Aeronaves, que monitoriza incidentes, disse que houve cinco incidentes com drones num mês. Há 70 relatórios que descrevem situações em que drones se aproximam de aviões no Reino Unido, só no ano de 2016. Este número é mais do dobro do número relativo a 2015. Até Maio de 2017 já há o relato de 33 incidentes. 

Portugal: 14  incidente desde Janeiro

Um jacto privado, proveniente de França, cruzou-se  no passado domingo com um drone a 150 metros de altitude, quando o avião se preparava para aterrar no aeroporto do Porto, disseram à agência Lusa fontes da aeronáutica. Este foi o 14.º incidente com drones (veículo aéreo não tripulado) reportado em Portugal  pela aviação civil desde o início do ano, envolvendo estes aparelhos, que violam o regulamento e entram nos corredores aéreos de aproximação aos aeroportos ou na fase final de aterragem. Só em Junho registaram-se oito casos.

Os especialistas portugueses também defendem o registo obrigatório de drones e dos seus proprietários. “Os estudos sobre o impacte da colisão de drones em aeronaves ainda não estão concluídos”, adiantou ao PÚBLICO o presidente da Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA). Mas “há um risco potencial sério de um desfecho catastrófico”, afirma Miguel Silveira.

O presidente da APPLA lembra que estão avaliadas as potenciais consequências de impactes externos, nomeadamente de colisão com aves. Mas as situações não são comparáveis, nota: os drones são construídos com materiais rígidos, de plástico ou de metal. E há ainda que ter em conta o risco das baterias de lítio deste tipo de equipamentos.