PSD: Pedro Pinto e Morais Sarmento, dois vencedores em Lisboa

Eleições da distrital de Lisboa decorreram este sábado à tarde e noite, entre as 17h e as 23h. Primeiros resultados apontam divisão interna.

Foto
Margarida Basto

Os resultados ainda não são oficiais, mas terminado o apuramento de delegados para a secção de Lisboa do PSD, a lista de Nuno Morais Sarmento Lisboa Sempre terá vencido com um resultado de 57%.

Informações recolhidas pelo PÚBLICO, uma hora e meia depois de as urnas fecharem, apontam para que o ex-ministro de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes vá conseguir eleger 163 delegados da assembleia distrital de Lisboa, contra 114 da lista de Marina Ferreira, a sua opositora.

É o sinal que a facção mais crítica queria enviar à liderança para mostrar que o PSD não está tão unido como se pensa. 

Ao nível da distrital, e como não tinha adversários directos, Pedro Pinto também saiu vencedor, com 77,8% dos votos, numa candidatura sem oposição, que conseguiu 2769 favoráveis, 721 brancos e 69 nulos. Em concreto, na secção de Lisboa, votaram para a Comissão Política Distrital 1441 militantes do PSD, tendo a lista de Pedro Pinto obtido 702 votos favoráveis (correspondentes a 48,7% do total), registando-se 685 votos brancos e 54 nulos.

Esta era a eleição mais importante, mas apenas teoricamente, já que foi na eleição de delegados da secção de Lisboa que se jogou a disputa interna.

Pedro Passos Coelho não deixou de votar nestas eleições internas. E Nuno Morais Sarmento, quando foi exercer o direito de voto, definiu à Lusa a sua candidatura pela secção de Lisboa do PSD como uma aposta "na revitalização do partido". Sobre um eventual apoio a Rio, disse esperar "fazer combates" com o ex-autarca "num futuro próximo".

"Rui Rio é um militante com quem trabalhei há muitos anos, é capaz de ter 30 anos o primeiro combate que fizemos juntos, tenho a certeza de que faremos no futuro próximo novamente combates juntos. Mas esses são para a etapa seguinte, agora é o PSD de Lisboa", disse.

Questionado sobre o significado da presença anunciada do ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio e do eurodeputado Paulo Rangel na apresentação de Pedro Duarte - que tem sido crítico de Passos Coelho - como candidato à Assembleia Municipal do Porto, no próximo fim-de-semana, Morais Sarmento considerou natural "que todos aqueles que gostam do PSD sintam a obrigação de voltar a dizer presente".

"Quando achamos que o caminho não está a ser o caminho correcto, que o trabalho não está a ser o trabalho suficiente, a primeira obrigação que temos é dar o corpo ao manifesto e dizer aqui estamos para ajudar a que seja mais e melhor", afirmou.

E acrescentou: "Aquilo que estão a fazer Paulo Rangel e Rui Rio e aquilo que eu estou a fazer aqui é uma e a mesma coisa: reanimar o PSD".

O ex-ministro da Presidência de Durão Barroso e de Santana Lopes salientou que "Lisboa no PSD sempre foi um caminho" e defendeu que neste momento o objectivo "é que o PSD volte a ser o espelho do Portugal que não se conforma, que quer ir mais para a frente".

"Este é o primeiro passo para participar na revitalização do PSD, na construção de uma nova etapa do PSD. Os projectos têm de ter rostos, este tem o nosso, as etapas que se seguirão têm de ter também rostos - um dia de cada vez - e é evidente que estamos disponíveis para participar nisso", disse, questionado sobre se esta candidatura é um passo para uma alternativa à liderança do partido.

A secção de Lisboa, com 6.692 militantes activos (com quotas em dia e capacidade eleitoral), é a única das dez do distrito em que concorriam duas listas: a encabeçada por Morais Sarmento e a lista "Afirmar Lisboa", afecta a Pedro Pinto, encabeçada por Marina Ferreira, ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Com Lusa