Tancos: Partidos à espera das explicações do ministro da Defesa

Para tentar aliviar a pressão política que está a ser exercida sobre o ministro da Defesa Nacional, o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, anunciou na RTP que decidiu “exonerar os cinco comandos das unidades que estão ligados a estes processos” .

Foto
Rovisco Duarte anunciou cinco exonerações mmm miguel madeira

Cinco comandos demitidos. Para tentar aliviar a pressão política que está a ser exercida sobre o ministro da Defesa Nacional, o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, anunciou na RTP que decidiu “exonerar os cinco comandos das unidades que estão ligados a estes processos” relacionados com o furto de material de guerra em Tancos. "Por uma questão de clareza e para não interferirem com o processo de averiguações”, explicou.

O chefe do Estado-Maior do Exército já antes havia colocado a hipótese de ter havido uma fuga de informação. “Quando se escolhem dois paióis no lote de 20, que por acaso não são os mais próximos da entrada, temos de tirar conclusões”, disse o general.

Estas cinco demissões surgem depois de o ministro da Defesa Nacional ter dito que assumia “todas as responsabilidades políticas” pelo que aconteceu e de Pedro Passos Coelho, líder do PSD, se ter mostrado surpreendido pelo facto de ainda ninguém na hierarquia militar ter apresentado a demissão ou ter sido exonerado na sequência do roubo de material de guerra em Tancos, Santarém.

Ao PÚBLICO, o deputado do CDS, que é vice-presidente da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, João Rebelo, acrescentou ainda que “já houve ministros que caíram por muito menos”. João Rebelo coloca o enfoque no “somatório de acontecimentos que têm ocorrido ultimamente e que minam a credibilidade do país em matéria de segurança”. “Em pouco tempo aconteceram três situações que demonstram falhas muito graves em áreas de soberania que minam a confiança dos cidadãos nas instituições no Estado e minam também minam a credibilidade de Portugal lá fora”.

O deputado recorda: “Em Fevereiro foi o roubo de armas na PSP (desapareceram 50), depois foram os incêndios em Pedrógão Grande, que demonstraram uma falta absoluta de coordenação, de preparação e de erros graves de organismos tutelados pelo Governo, e agora temos isto. O Governo não pode assobiar para o lado”, afirmou, declarando que “uma coisa é o ministro assumir as responsabilidades políticas, outra coisa é levar até ao fim as consequências da responsabilidade já que não se cumpriu o que era necessário. E isso poderá, eventualmente, levar ao pedido de saída do próprio Governo”.

O BE, pelo punho dos deputados João Vasconcelos e Pedro Filipe Soares, dirigiu uma pergunta ao ministro da Defesa onde questiona: “Como foi possível o roubo de uma grande quantidade de armamento militar das instalações de Tancos e o que terá falhado?” E mais: "Que medidas pensa o Governo tomar para recuperar o material e para impedir que outras situações aconteçam no futuro nestas ou noutras instalações militares?”, lê-se no documento que acrescenta: “Tem o Governo conhecimento de alguma avaria no sistema de videovigilância dos Paióis Nacionais de Tancos?”.

O PCP já afirmou que viabilizará a ida de Azeredo Lopes ao Parlamento e considerou que o deve fazer "o mais rapidamente possível". E o PS também. O deputado Miguel Medeiros, que é coordenador dos socialistas na comissão de Defesa, afirmou que o partido está preocupado com o roubo de material de guerra em Tancos pelo que viabilizará os requerimentos do PSD e do CDS-PP para a ida do ministro da Defesa Nacional ao Parlamento.  “O PS não tem nada a opor, está sempre do lado da verdade e dos esclarecimentos, naturalmente que a posição do PS será favorável", disse à Lusa, sustentando que "o problema não está no ministro".

A partir de Bruxelas, Marcelo Rebelo de Sousa deu a entender que tem recebido informações sobre o assunto, mas disse que “não é, ainda, o momento “ para se “pronunciar sobre a matéria”.