Turistas bêbados, nus e à bulha põem Albufeira a exigir medidas: "Destes não queremos"

Comerciantes pedem mais policiamento e autarquia pede ao Parlamento para legislar para limitar os comportamentos "de grupos que se sentem impunes por andarem a fazer distúrbios, mal-educados, a andarem com roupas impróprias".

O programa prometia "sete dias sem parar de sol, mar, álcool e festas"
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O programa prometia "sete dias sem parar de sol, mar, álcool e festas" Miguel Manso

Comerciantes, hoteleiros e agentes turísticos do Algarve estão preocupados com os incidentes dos últimos dias em Albufeira. Os desacatos que envolveram os jovens britânicos levaram a autarquia a pedir a intervenção da Assembleia da República.

No passado domingo à noite, numa zona de bares, a GNR foi chamada devido a desacatos entre jovens estrangeiros. Na terça-feira, segundo a PSP, registou-se uma rixa entre duas mulheres no aeroporto de Faro e três jovens não embarcaram por aparentemente estarem alcoolizados.

Centenas de jovens britânicos estavam em Albufeira a participar no "Portugal Invasion", um festival que terminou na terça-feira que prometia "sete dias sem parar de sol, mar, álcool e festas". Incluídos num pacote que oferecia voos, alojamento e festas temáticas, algumas com bar aberto, o programa tinha o custo de 677 euros.

As associações de comerciantes e hoteleiras algarvias pedem mais policiamento, mas a Câmara Municipal de Albufeira vai mais longe. À TSF, o presidente da autarquia, Carlos Silva e Sousa, considerou a hipótese de criar legislação que limite os comportamentos "de grupos que se sentem impunes por andarem a fazer distúrbios, mal-educados, a andarem com roupas impróprias" ou mesmo sem nenhuma.

O autarca refere que se os turistas não têm qualquer sanção, "é um convite a que venham cá a Portugal". O autarca insta a Assembleia da República a legislar sobre estas matérias, admitindo que algumas medidas possam colocar em causa as liberdades e garantias.

“As entidades competentes não têm capacidade para fiscalizar”

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, considera que este tipo de ofertas de baixo custo levam a "comportamentos desviantes" e pede mais fiscalização aos estabelecimentos de diversão nocturna que muitas vezes não cumprem a lei do ruído, as regras da venda de álcool a menores e a ocupação do espaço público.

"Este tipo de estabelecimentos funcionam de forma nitidamente desajustada e as entidades competentes não têm tido capacidade para os fiscalizar", criticou o presidente da maior associação hoteleira da região, sublinhando que os bares não deveriam funcionar "toda a noite", com horários de discoteca.

"O que está errado" é o modelo de oferta, que "atrai este tipo de turista", acrescenta. De acordo com o empresário, em algumas zonas turísticas de Espanha já foram tomadas medidas para evitar este tipo de comportamentos, o que tem contribuído para desviar estes turistas para o Algarve. Em Albufeira, que é o maior destino turístico do Algarve, existem "balcões de venda de bebida na rua, sem qualquer controlo", e bares que funcionam "como autênticos guetos".

Esta permissividade terá criado junto dos potenciais turistas "a sensação" de que no Algarve há margem para "comportamentos desviantes”.

Para o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), Desidério Silva, os episódios dos últimos dias "são casos pontuais", mas também alertou para a necessidade de repensar alguns tipos de oferta: "É preciso haver algum cuidado na venda das ofertas a baixo preço para um destino como o Algarve, que está em alta e com muita procura", e precisa, antes, "de um nível médio/alto de turistas".

O Turismo do Algarve está a procurar encontrar soluções para minimizar estes impactos junto das entidades envolvidas, incluindo as forças de segurança. "Já falei com o comando da GNR a nível distrital, que deu todas as garantias de que estarão atentos para prevenir” e intervir “como força dissuasora para que isto não se repita e não coloque em causa a imagem do Algarve", frisou.

O autarca de Albufeira quer, inclusivamente, que os operadores turísticos rejeitem grupos que possam provocar este tipo de distúrbio. “Este tipo de turismo que afasta famílias não nos interessa nada", sublinhou Carlos Silva e Sousa.

“As rixas acontecem todos os anos”

Já o presidente da Associação dos Comerciantes de Albufeira, Luís Alexandre, disse à Lusa que "as rixas entre turistas de férias na região acontecem todos os anos, verificando-se principalmente nas zonas junto aos bares", motivadas pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Segundo Luís Alexandre, "não há registo de comerciantes que tenham sido lesados por desacatos ou problemas graves, embora se registem pequenos distúrbios", normais em qualquer zona comercial. O representante dos comerciantes de Albufeira defende "um maior policiamento com visibilidade”.