Quebra jazz: um festival no meio das escadas

Sexta edição do festival no centro histórico de Coimbra começa esta sexta-feira e vai até Setembro.

Foto
Maria João leva a Coimbra o projecto OGRE ALEXANDRE CABRITA

O Quebra Costas, a íngreme ligação entre a Alta e a Baixa de Coimbra, é uma das vias pedonais mais percorridas da cidade. A partir desta semana e até ao início de Setembro, a rua vai ficar congestionada todos os fins-de-semana à noite. O motivo é a sexta edição do festival Quebra Jazz, que tem lugar na escadaria e que é organizado este ano por uma associação que junta comerciantes e moradores.

O festival de jazz arranca a 23 de Junho e vai até 2 de Setembro. Pelo meio há concertos todas as sextas e sábados a partir da 22h30, numa plataforma de cinco por três metros no meio dos degraus. Pelo pequeno anfiteatro urbano vão passar 5TETO, Lokomotiv, OGRE (projecto com Maria João), Pedro Calero e Marta Huggon, entre outros.

O programador do Quebra Jazz, Paulo Bandeira, refere que o método de selecção não obedece a nenhum critério rígido. “Se gosto de ouvir este som, se ouço um projecto de colegas meus e penso 'isto soa muito bem', vou por aí”, diz Bandeira, que também é músico. Depois “há as referências”, como Maria João, que este ano está em Coimbra com OGRE, ou Mário Laginha ou Afonso Pais, que também já passaram pela escadaria do Quebra.

Paulo Bandeira fala ainda de um ambiente especial e de “um culto para ouvir arte”. “Tem condições acústicas especiais, tem um som fantástico e é super intimista." O programador, que já experimentou as duas posições, diz que os concertos são agradáveis tanto para o público como para os músicos.

No último dia do festival sobe ao palco o Quebra Ensemble, “constituído por músicos que sempre disseram que sim ao festival”. O quarteto é composto por Jeffery Davis no vibrafone, Sérgio Rodrigues no piano, Nelson Cascais no contrabaixo e o próprio Paulo Bandeira na bateria.

Miguel Lima, do Quebra Bar, explica que a principal alteração em relação a anos anteriores é mesmo a criação da Associação Cultural Quebra Jazz, que nasceu este ano e junta moradores e comerciantes daquela artéria de Coimbra para organizar o festival. Para já são mais os comerciantes do que os moradores, mas o responsável diz que o objectivo é “alargar o mais possível” o leque de associados.

“Nos anos anteriores, mesmo com orçamento limitado, foram-se fazendo as coisas”, conta Miguel Lima. A edição deste ano tem um orçamento de 17 mil euros, sendo que a iniciativa terá pela primeira vez o apoio da Câmara Municipal de Coimbra e do Turismo do Centro de Portugal. A União de Freguesias de Coimbra também “faz um contributo simbólico”. Antes da criação da associação, a organização do festival era suportada em grande medida pelo Quebra Bar.

O Quebra Jazz teve a primeira edição em 2012 e Miguel Lima conta que então o objectivo era “dar alguma dinâmica à zona para combater a crise, que estava no seu ponto baixo”. No fundo, “criar algo para atrair gente ao centro histórico”. O que, considera, tem acontecido. “Tem cada vez mais impacto e cada vez mais público."