A juventude foi o alvo do pior ataque terrorista no Reino Unido numa década

Tinham acabado de assistir a um concerto quando foram assombrados por uma bomba que matou mais de 20 pessoas. Polícia tenta saber se atacante agiu sozinho.

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Depois de uma noite trágica, em Manchester chorou-se esta terça-feira as mortes de 22 pessoas, muitas delas crianças, vítimas de um ataque terrorista quando se preparavam para regressar às suas casas após um concerto da cantora Ariana Grande. Foi o pior ataque no Reino Unido em mais de uma década. O atentado foi reivindicado pelo Daesh, mas a grande prioridade dos investigadores é perceber se o seu autor agiu sozinho. Esta dúvida está na base da subida do nível de alerta de terrorismo no Reino Unido de "grave" para "crítico" pela primeira vez numa década. Na noite de terça-feira, Theresa May admitiu que há risco "iminente" de um novo atentado e mobilizou as forças armadas. Milhares de militares vão partulhar alguns dos locais mais movimentados do país sob as ordens da polícia.

As autoridades estão a divulgar com muita cautela as identidades das vítimas, mas já se percebeu que muitas são crianças e adolescentes, tornando a carga emocional ainda mais forte. “Apenas penso nestas pobres famílias. Sempre que fecho os olhos, vejo uma menina pequena a chorar ao lado da mãe, que estava caída sobre uma poça de sangue enquanto o marido tentava reanimá-la”, contou ao Guardian Emma Johnson, que estava perto do local onde ocorreu a explosão.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram o momento em que milhares de pessoas, ainda dentro do recinto, ouviram um grande estrondo. Seguem-se momentos de pânico, com muita gente a correr de um lado para o outro à procura de uma saída. No exterior da Manchester Arena, o cenário foi ainda mais aterrador. Andy Holey estava no hall de entrada do recinto, enquanto esperava pela mulher e a filha, quando um forte abalo o projectou para o chão.

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“Quando me levantei e andei um bocado, vi cerca de 30 pessoas espalhadas por todo o lado. Algumas pareciam mortas, podiam estar inconscientes, mas havia muitos feridos”, contou à BBC.

Por volta das 22h33 de segunda-feira, um homem aproximou-se da entrada da Manchester Arena que dá acesso à estação de comboio de Victoria, e detonou um mecanismo explosivo que transportava consigo. A polícia identificou-o como Salman Abedin, um britânico de 22 anos nascido em Manchester e filho de pais líbios que tinham emigrado para o Reino Unido com o estatuto de refugiados, em fuga do regime de Muammar Khadaffi. Durante o dia, a polícia deteve também um homem de 23 anos num subúrbio a sul de Manchester.

Neste momento, a grande prioridade para as autoridades é averiguar se Abedin actuou sozinho ou não. Ao início da noite, a primeira-ministra Theresa May decretou o nível máximo de alerta com a justificação de que possa haver outras pessoas ligadas ao ataque em fuga.

Apesar de ser um alvo preferencial para várias organizações terroristas, desde 2005 que o Reino Unido não era palco de um ataque desta envergadura, quando várias bombas provocaram a morte de 56 pessoas em Londres. O ataque de Manchester é também o primeiro desde então em que houve recurso a explosivos – uma imagem dramaticamente próxima do quotidiano britânico durante os anos 1970 e 1980, quando várias cidades foram alvo de atentados organizados pelo Exército de Libertação Irlandês, o IRA.

Os relatos de várias testemunhas e as imagens das câmaras de vigilância recolhidas pela polícia indicam que o explosivo utilizado era de fabrico caseiro a que o seu autor terá juntado pedaços de metal para serem projectos, de forma a ferirem o maior número possível de pessoas.

Um pouco por toda a Internet existem manuais de instruções para o fabrico de explosivos caseiros, mas o recurso a bombas por atacantes solitários é pouco comum, notam vários analistas. “A maioria dos jihadistas descarta um ataque bombista logo nas primeiras fases: apercebem-se que é demasiado difícil de conseguir”, escreve o correspondente de segurança interna da BBC, Dominic Casciani. Desde a possibilidade de serem sinalizados enquanto adquirem os produtos de que necessitam, até aos perigos inerentes ao manuseamento de substâncias explosivas, há muita coisa que pode correr mal até que alguém consiga levar a cabo um ataque deste tipo.

Restam duas linhas de investigação, sugere Casciani. É possível que Abedi tenha aprendido como fabricar um explosivo sem correr riscos com algum membro de uma organização terrorista; ou então que lhe tenha sido entregue o mecanismo fabricado por outra pessoa. Este seria “o pior cenário possível”, considera o jornalista, uma vez que iria significar que “existe um fabricante de bombas à solta pelo Reino Unido”.

Reivindicado pelo Daesh

O grupo terrorista Daesh reivindicou o atentado através dos seus órgãos de propaganda, mas há muitas dúvidas quanto ao grau de integração do autor na organização. Uma primeira mensagem, divulgada através da rede social Telegram, usada pelo grupo, mencionava a colocação de “aparelhos explosivos” no local do concerto. Alguns minutos depois, a agência Amaq – o braço propagandístico do Daesh, que o grupo utiliza para reivindicar ataques – publicou uma mensagem em que é referido “um esquadrão de combatentes”, dando a entender que o ataque teria sido feito por várias pessoas. Pouco depois, essa publicação foi apagada e uma nova foi divulgada em que se volta a referir apenas “um soldado do califado”.

Rukmini Callimachi, jornalista do New York Times que tem monitorizado a actividade de vários grupos terroristas nas redes sociais, considera que este tipo de imprecisão é “muito pouco comum”. “Pode ser sinal de perturbações nos mecanismos de comunicação [do Daesh], o que é expectável à luz das perdas que têm tido em Mossul”, afirmou Callimachi, através da sua conta de Twitter. Tal como em atentados recentes, é provável que Abedi tenha simplesmente seguido os apelos divulgados pelo Daesh para que sejam feitos ataques no Ocidente – e não que tenha havido uma ordem directa emanada da sua hierarquia.

O ataque de Manchester foi lamentado pela generalidade dos líderes mundiais, desde o Presidente dos EUA, Donald Trump, – que nos últimos dias esteve no Médio Oriente, onde falou da necessidade de combater o terrorismo islamita – até ao Presidente russo, Vladimir Putin, passando pelo recém-eleito Presidente francês, Emmanuel Macron.

Há vários meses que os serviços de segurança britânicos estavam em alerta para a eventualidade de um ataque deste género poder ocorrer no país. Nos últimos 18 meses, as autoridades britânicas frustraram 12 planos de atentados terroristas, segundo o presidente da comissão parlamentar de Informação e Segurança, Dominic Grieve. Porém, lembra a Economist, há limites para a prevenção. Estão sinalizados três mil indivíduos catalogados pelo MI5 como “extremistas religiosos”, porém os serviços secretos internos britânicos têm recursos para vigiar de forma constante apenas 40 suspeitos.

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