O padel em Portugal não quer ser só social

Lisboa acolhe prova em que participarão seis jogadores do “top-25” mundial.

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O padel está a ganhar adeptos em Portugal EVR ENRIC VIVES-RUBIO

Tem nesta quarta-feira início o quadro principal do Lisboa Challenger powered by Santogal BMW, prova do World Padel Tour que vai prolongar-se no Clube VII até dia 28 de Maio. O torneio masculino oferece 15 mil euros em prémios monetários e traz à capital portuguesa seis jogadores do “top-25” mundial, mas acima de tudo, vem avaliar os progressos dos melhores atletas lusos e confirmar a popularidade que a modalidade tem tido nos últimos anos.

Depois de uma falsa partida no início dos anos 90, o padel teve de esperar mais alguns anos para explodir. Muitos clubes viram a possibilidade de rentabilizar o espaço ocupado por um court de ténis substituindo-o por dois de padel e os campos começaram a surgir pelo país (várias dezenas espalhados de Sul a Norte, Madeira e Açores), com o consequente aumento de praticantes, actualmente estimado em perto de 10 mil – ainda longe dos números da grande potência da modalidade, a Espanha, onde 5% de habitantes praticam este desporto. Graças à facilidade de aprendizagem, o convite ao convívio (pois são precisos dois pares) e a menor exigência física faz com que o padel seja dos desportos mais abrangentes na sociedade.

Na Federação Portuguesa de Padel (FPP) estão filiados quase quatro mil, que podem assim participar nos 52 torneios que compõem o quadro competitivo do calendário nacional, 27 das quais com prémio monetário (27 masculinas e 10 femininas). Destes, destacam-se três jogadores semi-profissionais (são treinadores também): Diogo Rocha, Miguel Oliveira e Vasco Pascoal, as grandes “estrelas” deste Lisboa Challenger.

Depois de se ter tornado no primeiro português a garantir a presença no quadro principal de um evento de categoria Masters, Rocha (64.º no ranking do World Padel Tour) garantiu há duas semanas a presença nos oitavos-de-final do Miami Padel Masters, evento do World Padel Tour, e entrou directamente no quadro final, onde vai jogar ao lado do espanhol António Luque. Oliveira (84.º), radicado em Espanha, e Pascoal (96.º) foram quarto-finalistas no último campeonato europeu de pares e receberam um wild-card.

No sector feminino, a antiga campeã nacional de ténis Ana Catarina Nogueira chama assim o todo destaque, ao ocupar o 26.º lugar do ranking. Margarida Fernandes (177.ª), Marina Figueiredo Aparício (190.ª) e Filipa Mendonça (251.ª) também figuram na classificação internacional.

Mas a FPP, que desde 28 de Abril, ganhou o estatuto de Entidade de Utilidade Pública, quer mais. “Acima de tudo, a situação da autoridade sobre o padel fica resolvida em definitivo, ao mesmo tempo que um tal estatuto nos permite aceder a meios financeiros, que nos irão permitir promover ainda mais a modalidade. Para além disso, permite também encarar o projecto do Padel Escolar, o qual é uma grande aposta desta direcção”, frisou Luís Centeno Fragoso, vice-presidente da FPP.