Marcelo e as boas novas: um crescimento económico de 3,2%?

A RTP filmou a conversa e questionou o Presidente sobre os números. Marcelo disse que nunca divulgou estes dados "porque ninguém pode revelar uma realidade que não existe". Mas reafirmou o optimismo: "Eu digo que é um dos cenários possíveis, um défice mais baixo e um crescimento mais alto".

A conversa, em inglês, foi informal, mas pontuada por exclamações. Expressivo como bem sabe ser, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conseguiu impressionar o seu interlocutor croata, mostrando-lhe um crescimento económico em força em Portugal, maior, aliás, do que aquele que é previsto pelo Governo e com números que não tinham sido revelados.

Nas imagens captadas pela RTP, vê-se Marcelo, no meio de um grupo de deputados croatas, a descrever a transformação do país: “Em Portugal as coisas estão a melhorar. Muito, muito rapidamente e muito bem. Os últimos números mostram uma taxa de crescimento de 2,8. E penso que no final do ano será de cerca de 3,2, o que é uma grande surpresa. O défice está a descer 1,4 %, o que é muito, muito, muito bom. O investimento está aumentar, a exportação está a aumentar”, diz, com um entusiasmo que contagia quem o ouve.

Acontece que estes números são mais optimistas do que os que que constam do Plano de Estabilidade: o Governo prevê 1,8% de crescimento este ano e 1,5% de défice. O próprio Presidente, quando confrontado depois pela comunicação social no local, não repetiu os números. Segundo relata a RTP, Marcelo disse que o que importa é realçar o crescimento económico do país.

"Eu disse que é uma hipótese, que não está afastado poder haver uma evolução positiva da economia, se ela vier de trás, que aponte para a confirmação destes números", explicou aos jornalistas, acrescentando que nunca divulgou estes dados "porque ninguém pode revelar uma realidade que não existe". Mas reafirmou o optimismo: "Eu digo que é um dos cenários possíveis, um défice mais baixo e um crescimento mais alto".

Já não é a primeira vez que o Presidente da República espalha relevações e optimismo, quer esteja em Portugal, quer esteja no estrangeiro. Dois exemplos apenas de situações que aconteceram com Marcelo fora do país: no final do encontro com o Papa, no Vaticano, quando foi convidar formalmente o chefe da Igreja Católica para vir a Portugal, Marcelo quis dar a entender que a visita era certa. “Neste momento entendo que não posso acrescentar nada quanto à posição do Santo Padre, mas posso dizer o meu estado de espírito é de quem saiu muito feliz da audiência.” Outra vez, num encontro com eurodeputados em Estrasburgo, disse que um dos presentes poderia rumar a Portugal para outras funções. Um dia depois, confirmava-se: Elisa Ferreira iria para o regulador bancário como vice-governadora.