Caixa regista prejuízos de 38,6 milhões com saídas de pessoal

O banco liderado por Paulo Macedo fechou o primeiro trimestre do ano com um prejuízo de 38,6 milhões de euros devido a custos relacionados com pré-reformas e rescisões amigáveis.

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Rui Gaudencio

"O resultado líquido do trimestre foi negativo em 38,6 milhões de euros, impactado por custos não recorrentes de 58 milhões de euros", explica o banco público em comunicado. Esses custos dizem respeito, segundo o mesmo documento "ao provisionamento do programa de pré-reforma e de rescisões por mútuo acordo". Sem esse efeito, o resultado líquido da Caixa seria positivo em 3,5 milhões de euros. 

Os custos operativos cresceram, assim, 16% para um total de 345,5 milhões de euros.

Os primeiros três meses do ano foram, por outro lado, marcados na actividade da Caixa Geral de Depósitos (CGD) por um crescimento de 50,8% da margem financeira para os 326,1 milhões de euros, beneficiando dos menores custos de financiamento (funding), que caíram em 28,3%. A margem financeira é o saldo que o banco garante entre os juros cobrados pelos créditos concedidos e os juros pagos nos depósitos.

Já o produto bancário - que incluiu o essencial da actividade bancária, entre margem financeira, comissões, operações financeiras e investimentos - cresceu 65,2% para os 489,6 milhões de euros, com "contributos positivos da margem financeira (+50,8 milhões de euros) e dos resultados em operações financeiras (+178,9 milhões de euros)", explica o banco em comunicado, atribuindo esta última melhoria "aos ganhos decorrentes da evolução de taxas de juro em mercado e de uma adequada gestão dos instrumentos de cobertura do risco de taxa de juro da carteira de títulos".  

As comissões - uma área onde a gestão de Paulo Macedo já fez mudanças, aumentando algumas dos custos cobrados aos clientes - tiveram ainda assim um desempenho negativo, baixando em 3,7% para os 109 milhões de euros. 

De notar que o "contributo da área de negócio internacional para o resultado líquido consolidado do grupo alcançou no primeiro trimestre deste ano 49,6 milhões de euros (24,3% do que em igual período do ano precedente)". 

Uma Caixa limpa 

Na análise dos resultados trimestrais do banco público já é visível em várias áreas o efeito da recapitalização iniciada por António Domingues e executada por Paulo Macedo, com o contributo da tutela liderada por Mário Centeno. A própria Caixa reconhece que, em termos de solidez, "a concretização deste plano, que resultou num reforço de capital de 4,4 mil milhões de euros, permitiu à CGD um substancial aumento dos seus rácios de capital que atingiram em 31 de Março de 2017 os 12,3% (CET1, phased-in) e 14,2% (rácio total)". Ambos uma evolução face aos 11,8% e 13,2%, respectivamente, do final do ano passado. 

Por outro lado, acrescenta a Caixa, "os capitais próprios consolidados totalizaram 7.827 milhões de euros no final de Março de 2017, o que representou um reforço de 3.944 milhões de euros face ao final do ano anterior, reflectindo as duas fases já implementadas do Plano de Recapitalização".

O plano de recapitalização foi implementado em duas fases, primeiro com um aumento de capital total em 1.500 milhões de euros (transmissão de 900 milhões de euros dos CoCos - apoio do Estado - e 499 milhões de euros através da entrega de acções da Parcaixa). Depois, verificou-se uma injecção de capital no montante de 2.500 milhões de euros pelo Estado. 

Banco capta mais depósitos

O trimestre saldou-se também por um crescimento de 2,1% dos depósitos de clientes, isto é, mais 1.122 milhões de euros. Face a esta evolução, "os recursos totais na actividade doméstica aumentaram 1.105 milhões de euros (+1,6%) face a Dezembro de 2016, atingindo 68.397 milhões de euros", explica o banco, que sublinha o facto de controlar quase um terço do mercado na componente de créditos a particulares.

Já no crédito concedido, a Caixa registou uma descida de 2,3% face a Dezembro para os 67,1 mil milhões de euros, com as descidas a verificarem-se tanto no crédito a empresas (-2,8%) como nos particulares (-1,2%), em Portugal. 

Relativamente à qualidade dos créditos, o banco explica que "evoluiu positivamente no primeiro trimestre de 2017, com os valores de NPE (exposições a créditos com mau desempenho) e NPL (empréstimos com mau desempenho) a atingirem respectivamente 11.242 e 10.009 milhões de euros (-4,9% e -5,2% face a dezembro último)". Já a cobertura destes créditos, através de imparidades e colaterais são, em Portugal, de 94,4% e 100,9%, respectivamente. 

Por outro lado, "o rácio de crédito em risco reduziu-se para 10,4% [face aos 11,9%], atingindo uma cobertura por imparidades de 77%, com destaque para a cobertura de 98% alcançada no segmento de crédito a empresas". Já no crédito a particulares, a cobertura cifrou-se em 48%. 

As provisões e imparidades, no primeiro trimestre, cresceram 29 milhões de euros em termos homólogos para os 112,8 milhões.