Do atentado frustrado em Manila às ameaças na Argentina

Em Buenos Aires, o padre Bergoglio chegou a andar de colete à prova de balas.

Francisco em Manila: um atentado à vida do Papa foi travado em 2015
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Francisco em Manila: um atentado à vida do Papa foi travado em 2015 REUTERS/Erik De Castro (arquivo)

Em Manila, durante a visita do Papa às Filipinas, em Janeiro de 2015, foram desarticuladas células islamitas que preparavam um atentado: a explosão de uma bomba, no dia 18, na Kalaw Street, à passagem do cortejo automóvel. Esta é uma das revelações do jornalista Nello Scavo sobre as ameaças ao Sumo Pontífice.

A operação terrorista na capital filipina foi preparada pela Frente Moro de Libertação Islâmica, grupo derivado da Jemaah Islamiya, organização filiada na rede da Al-Qaeda. Só depois do Papa levantar voo do aeroporto internacional Ninoy Aquino rumo ao Vaticano o assunto foi conhecido.

As tropas especiais antiterroristas, lideradas por Getulio Napenas, passaram ao ataque. Desarticuladas as células, evitado o atentado e sem jornalistas internacionais presentes, atacaram locais na ilha de Mindanau, “santuário” dos terroristas. Conseguiram eliminar um dos seus líderes, Zulkifli bin Hir, mas morreram 44 dos seus agentes.

Desrespeitador do protocolo, improvisador de actos e imprevisível nas atitudes, o Papa é um quebra-cabeças para a segurança dos países que visita e para os seus anjos da guarda. “A ameaça existe, segundo as conversas que tenho com os colegas italianos e estrangeiros”, admite a Scavo Domenico Giani, que comanda a polícia do Vaticano, responsável pela segurança do Papa reinante e do Papa emérito, Bento XVI.

“Os níveis de alerta subiram, é necessário ter em consideração todos os cenários, do perigo de um atentado terrorista até ao fiel que, por entusiasmo, atira qualquer coisa à passagem do Papa”, corrobora Maria Rosario Maiorini, do comissariado da polícia do Vaticano.

Ainda cardeal de Buenos Aires, em Dezembro de 2009, Jorge Maria Bergoglio teve escolta policial e chegou a utilizar um colete à prova de bala, do qual se desfez prontamente com humor: “Pareço um cavaleiro medieval com armadura.” Então, a ameaça surgiu num email anónimo que denunciava um complot de figuras do kirchenerismo.

Em Maio de 2015, já com o antigo cardeal no Vaticano, o padre Walter Sivori, pároco de Villa Eloisa, um bairro de La Plata, andou com guarda-costas, depois de receber várias chamadas ameaçando-o a ele e ao tio. Walter é sobrinho do Papa. Na noite de 17 de Junho do mesmo ano, José Ignácio Bergoglio, sobrinho do Papa, chegava a casa com a namorada e foi interceptado por três homens armados e encapuçados. A pronta intervenção policial frustrou as suas intenções. Ambas as acções são atribuídas a narcotraficantes.