Matemática e Inglês são as disciplinas com mais negativas no 2.º ciclo

Estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência foi tentar saber o que se passa com as notas dadas pelos professores. Mais uma vez fica claro que o contexto socioeconómico continua a ser determinante.

Maioria dos alunos consegue passar sem negativas
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Maioria dos alunos consegue passar sem negativas rui farinha

Matemática e Inglês são as disciplinas com piores desempenhos no 2.º ciclo de escolaridade, revela um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) divulgado nesta segunda-feira. Pela primeira vez este estudo centra-se nas classificações internas atribuídas pelos professores aos seus alunos. Geralmente os estudos de desempenho têm na base os resultados da avaliação externa, seja na forma de exames ou de provas de aferição.

Segundo a DGEEC, a “principal motivação para o desenvolvimento deste trabalho foi aprofundar a compreensão das circunstâncias em que ocorrem o sucesso e o insucesso escolar entre os alunos do 2.º ciclo”, que têm idades entre os 10 e os 12 anos. Foram analisados os resultados que os alunos obtiveram no ano lectivo de 2014/2015 nas escolas públicas de Portugal continental e cada um foi seguido individualmente para se aferir sobre as suas possibilidades de recuperação, entre outros itens.

No final do 6.º ano de escolaridade, 30% dos alunos tiveram classificação negativa a Matemática, o que é a “percentagem mais elevada de insucesso entre todas as disciplinas”. E cerca de 15% tiveram aproveitamento insuficiente em Inglês, que é a segunda disciplina com maior taxa de negativas. O peso das negativas nestas duas disciplinas faz-se também sentir entre os que transitaram de ano: do 5.º para o 6.º ano, 30% passaram de ano com classificação insuficiente a pelo menos uma disciplina, uma percentagem que sobe para os 34% entre os alunos que transitam do 6.º para o 7.º. Estas negativas ocorrem mais frequentemente a Matemática e Português.

Na situação oposta está a disciplina de Educação Física, “em que apenas 2% dos alunos não obtiveram classificação positiva”. Apesar dos maus desempenhos a Matemática e Inglês, a maioria conseguiu chegar ao final do ano de escolaridade com a pauta limpa de negativas ou seja, só com notas positivas: foi o que aconteceu com 61% dos alunos do 6.º ano e 65% do 5.º ano.

De volta, aos alunos que passaram de ano, mas tiveram negativas, a DGEEC foi tentar saber se estas classificações são ou não, “para a maioria dos alunos, um acidente passageiro e facilmente recuperável”. A resposta varia consoante as disciplinas em causa. E mais uma vez são a Matemática e Inglês que apresentam “taxas relativamente mais baixas de recuperação de negativas”. Entre outros factores, esta situação estará “certamente relacionada com a natureza marcadamente sequencial e interdependente das matérias curriculares” daquelas disciplinas, adianta a DGECC. Por outras palavras, são disciplinas em que não se consegue progredir se as bases não estiveram consolidadas.

Já entre os alunos que têm classificação 5, a mais alta numa escala de 1 a 5, constata-se que a disciplina de Português “é aquela em que é mais raro obter-se, consistentemente, classificação máxima”, mas mesmo assim 60% dos alunos que tiveram 5 no 5.º ano conseguiram voltar a ter esta nota no 6.º ano. Por outro lado, entre estes alunos com nota máxima, “as diferenças entre as diversas disciplinas são bem menos marcadas do que no caso das taxas de recuperação e negativas”.

O estudo da DGEEC vem, por outro lado, confirmar que o contexto socioeconómico continua a ser determinante no desempenho dos alunos e isso acontece a todas as disciplinas, embora seja mais marcante nas “disciplinas de teor académico” como Matemática, Inglês, História e Geografia de Portugal, Português e Ciências Naturais.

Um exemplo. Isolando os alunos que não têm apoios da Acção Social Escolar, que se destina a agregados que têm um rendimento igual ou inferior ao salário mínimo nacional, regista-se que apenas 16% dos alunos do 5.º ano nesta situação tiveram negativa a Matemática. Esta percentagem salta para 44% quando se junta ao grupo os alunos beneficiários do escalão A da ASE, que são os mais carenciados.