CDU e Bloco de Esquerda nas ruas do Porto a falar de habitação

Do Bairro do Aleixo ao do Riobom, os candidatos da esquerda à presidência da Câmara do Porto exigem soluções urgentes

A degradação é bem visível no interior das torres do Aleixo
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A degradação é bem visível no interior das torres do Aleixo Paulo Pimenta

A candidata da CDU à presidência da Câmara do Porto, Ilda Figueiredo, escolheu uma varanda ao ar livre sobre o Bairro do Aleixo para lembrar, na manhã desta sexta-feira, como este continua a ser um problema grave por resolver na cidade. Acusando o actual executivo de se ter preocupado “em resolver os problemas do fundo imobiliário [que gere o processo] em vez dos problemas das pessoas que vivem no bairro”, a comunista exigiu que seja encontrada uma solução. Na Baixa, o candidato do Bloco de Esquerda, João Semedo, reuniu-se com representantes da Associação dos Inquilinos do Norte de Portugal e saiu do encontro com uma inquietação: “Não consigo perceber como é que o presidente da câmara, Rui Moreira, dorme tranquilo”. Em causa, disse, estão as “condições infra-humanas” em que vivem alguns portuenses.

Com as três torres do Bairro do Aleixo a espreitar entre as árvores à sua frente e o rio Douro perfeitamente visível na paisagem, Ilda Figueiredo criticou o executivo de Rui Moreira e o pelouro da Habitação de Manuel Pizarro de estarem a agir “contra os moradores do Aleixo, activa e passivamente”. Em causa está o estado de degradação a que o bairro camarário chegou, sem que algo tenha sido feito no local durante o actual mandato. “É preciso uma solução para isto, [o futuro do Aleixo] não pode continuar a ser adiado, não se pode deixar passar mandato atrás de mandato sem que algo aconteça. As pessoas têm que ser tratadas com dignidade”.

Rui Moreira já admitiu que o seu executivo não vai realizar qualquer intervenção no bairro que já viu serem demolidas duas das suas cinco torres, ainda durante os mandatos de Rui Rio, mas onde vivem ainda dezenas de famílias. Para a candidata comunista, essa passividade é “inaceitável”. “Estamos a exigir a resolução deste problema, com o fundo ou com quem tiver que ser”, disse Ilda Figueiredo.

No passado, a CDU defendeu que o Invesurb, o fundo imobiliário que gere o futuro dos terrenos do Bairro do Aleixo, deveria ser extinto, os moradores do bairro realojados e a localização aproveitada pela câmara para a construção de nova habitação social.

Ilda Figueiredo insistiu nessa, ou noutra solução, desde que as pessoas “sejam tratadas com dignidade”. A candidata disse estar ainda “mais indignada” com o facto de alguns moradores do Aleixo também terem sido sujeitos ao aumento de rendas, no passado mês de Abril. Atendendo às condições que se vivem no local – elevadores avariados, escadas degradadas, casas desocupadas e sem janelas, provocando infiltrações noutras habitações onde ainda existem moradores – a comunista considerou que tal não era aceitável.

Também com a habitação no centro das preocupações na manhã desta sexta-feira, o candidato do Bloco de Esquerda (BE), João Semedo, chamou a atenção para as condições em que vivem várias pessoas nas freguesias de Campanhã e Bonfim, em núcleos como o Pego Negro, Presa Velha ou o Bairro do Riobom. Citado pela Lusa, Semedo disse que as vidas destas pessoas, que estima serem entre 1500 a duas mil, “são um problema ainda mais esquecido do que os sem-abrigo”.

João Semedo ouviu a advogada da Associação dos Inquilinos do Norte de Portugal, Alexandra Cachucho, referir-se a diversos pedidos de ajuda de moradores do centro histórico “claramente enganados” por senhorios ou promotores imobiliários, com o objectivo de os levar a abandonar as suas casas. "A oferta municipal está aquém das necessidades”, defendeu João Semedo, argumentando que a Câmara do Porto deve alargar a oferta de habitação, “seja através de rendas apoiadas ou rendas acessíveis”.

O bloquista defendeu também a criação de um programa municipal "de emergência" para a habitação de "um Porto escondido e ignorado", que contrasta com "o Porto postal turístico e o Porto do centro histórico". Já a Sociedade de Reabilitação Urbana, disse, ainda citado pela Lusa, deve ser controlada pelo município e este deve criar "um observatório para o problema [da habitação] no centro histórico" que permita "avaliar, mas também prevenir impactos negativos que o turismo sempre tem". com Lusa