De Maguy Marin a Cláudia Dias, um itinerário para os primeiros três Dias da Dança

Durante o primeiro fim-de-semana de DDD- Dias de Dança, não falta quem dance nas três cidades da frente atlântica do Porto.

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BiT de Maguy Marin HERVE DEROO

Uma das peças mais aguardadas do primeiro fim-de-semana do DDD - Dias da Dança é uma estreia nacional que também chega de França: o 49.º espectáculo de Maguy Marin, que durante os anos 80 percorreu o mesmo caminho que Pina Baush desbravou a Leste, na Alemanha.

Ainda é no território da dança-teatro que se move, após mais de 40 anos de carreira, a coreógrafa que este sábado leva BiT (na foto) ao Teatro Municipal Rivoli. O termo de computação que descreve a unidade-base da informação serve de primeira batida para o que depois passa a ser um frenesim obsessivo de indivíduos imparáveis. É o ritmo agitado do dia-a-dia que faz mexer os bailarinos e que obriga o espectador a parar para reflectir sobre o seu papel na sociedade contemporânea.

Em Matosinhos, outra das três cidades da frente atlântica onde se dança até 13 de Maio, chega no sábado ao Cine-Teatro Constantino Nery, pelas 18h30, a segunda peça de um novo ciclo coreográfico de Cláudia Dias: Terça-Feira: Tudo o que é sólido dissolve-se no ar, a partir de uma frase retirada do Manifesto Comunista. O mítico programa de Vasco Granja e os desenhos animados que o apresentador começou a divulgar na televisão inspiraram, 30 anos depois, a segunda parte do projecto Sete Anos Sete Peças — um espectáculo de dança que se transforma num cartoon ao vivo, frame a frame.

Horas antes, às 16h (o programa está feito para não haver sobreposição de espectáculos), na mala voadora, de volta ao Porto, há um jogo entre dois performers que acaba, espontaneamente, por envolver a audiência. Point Of You, de Ricardo Machado e Anna Réti, é uma sátira sobre pontos de vista que se repete domingo, às 15h.
O ultimo espectáculo do fim-de-semana tem lugar às 17h de domingo num Campo Alegre submerso nos sons do oceano. Yeborath, peça criada a partir do conto A Mulher de Porto Pim, de Antonio Tabucchi, dá o nome ao solo de Ana Renata Polónia, jovem coreógrafa natural do Porto. Aqui, o corpo procura ser mutável para navegar entre a fronteira do real e do imaginário ao sabor do vento que é a imprevisibilidade da voz interior feminina.