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Sindicato defende expulsão de guardas caso estejam envolvidos na fuga de Caxias

Presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, José Alves, defende expulsão de guardas prisionais caso se comprove o seu envolvimento na fuga de três reclusos da prisão de Caxias, no passado dia 19 de Fevereiro.

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PAULO RICCA / Arquivo

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional defendeu nesta segunda-feira a expulsão para os guardas prisionais caso se prove que estiveram envolvidos na fuga de três reclusos da prisão de Caxias e pediu celeridade no inquérito.

Três reclusos, dois chilenos e um português (luso-israelita), fugiram no dia 19 de Fevereiro do Estabelecimento Prisional de Caxias, através da janela da cela que ocupavam, tendo dois sido capturados em Espanha. O recluso português continua fugido das autoridades.

O Correio da Manhã de hoje adianta que o “único recluso que ainda não foi capturado relatou no sábado ter pago 100 mil euros a quatro guardas prisionais para o deixarem fugir, tendo sido eles [guardas] a meterem o fio de serra na cela”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), Jorge Alves, disse esperar que o inquérito, que já está a decorrer, seja rápido e que a verdade seja apurada de “uma vez por todas”.

“Espero que dentro da verdade e da justiça punam, se isso aconteceu, quem poderá estar dentro desta fuga, se houve auxílio à fuga, isto para que de uma vez por todas saiam da guarda prisional e não manchem o nome do corpo da guarda prisional”, sublinhou.

Jorge Alves lembrou que a fuga mereceu a instauração de um processo de averiguações, a cargo do Serviço de Auditoria e Inspeção da Direção-Geral, e que o incidente está a ser investigado num inquérito e a PJ também está a investigar o caso.

O responsável lembrou também que a 8 de Março último, o SNCGP realizou uma vigília diante da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) em protesto contra as declarações do director-geral dos serviços prisionais, Celso Manata, sobre a fuga de reclusos da cadeia de Caxias.

As declarações de Celso Manata ao semanário Expresso, em 25 de Fevereiro, causaram mal-estar entre os guardas prisionais porque, conforme Jorge Alves explicou na altura, "só apontava para as hipóteses de a fuga ter sido possível por ter havido corrupção, dolo ou negligência dos guardas” do Estabelecimento Prisional (EP) de Caxias, em Oeiras.

Jorge Alves disse hoje à Lusa que o sindicato não tem conhecimento sobre alegado envolvimento de guardas prisionais na fuga de Caxias e salientou que o SNCGP “sempre se pautou pela verdade”.

“Sempre nos pautámos pelo esclarecimento de situações que envolvem o corpo da guarda (…) seja qual for o crime pois põe em causa a dignidade do corpo da guarda prisional no seu todo. Fomos sempre os primeiros a auxiliar a direcção-geral, o Ministério da Justiça quando temos conhecimento de situações que podem envolver o corpo da guarda”, disse.

De acordo com Jorge Alves, se os guardas estiverem envolvidos devem ser punidos e expulsos do corpo.

Na semana passada, a imprensa noticiava que o fugitivo luso-israelita já tinha publicado uma fotografia no Facebook, onde aparecia de cara destapada e com uma arma na mão, a fazer referência ao 348, o número de recluso.

O Correio da Manhã (CM) de hoje adianta que várias pessoas do sistema prisional já foram ouvidas pelos inspectores da Unidade de Combate à Corrupção da PJ, na qual corre um inquérito.

Entre os visados, escreve o jornal, estão “um chefe de ala e três guardas prisionais colocados no estabelecimento prisional de Caxias, que já estavam a ser investigados antes de o único fugitivo ainda por capturar ter relatado ao CM que lhes tinha pago 100 mil euros para o deixarem fugir”.