Parlamento condena instabilidade na Venezuela e pede reposição da democracia

Voto do CDS foi aprovado, mas o do PCP só passou parcialmente. Comunistas e centristas levaram as diferenças ideológicas para o plenário durante a discussão dos documentos.

RG RUI GAUDENCIO
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RG RUI GAUDENCIO

O Parlamento aprovou esta sexta-feira por maioria dois votos a condenar a instabilidade política na Venezuela e a reclamar a reposição da democracia e da ordem constitucional, enquanto o PCP mereceu críticas por defender a soberania daquele país.

A deputada do PCP Carla Cruz declarou que "a Venezuela tem vindo a ser vítima de recorrentes acções de ingerência e desestabilização, incluindo campanhas de desinformação e manipulação da opinião pública que visam colocar em causa o processo democrático e progressista de afirmação soberana e cooperação", com a "conivência de sectores locais e dos Estados Unidos.

Pelo PSD, José Cesário afirmou o respeito pela "soberania da Venezuela em tudo aquilo em que não esteja em causa os princípios fundamentais da democracia e do Estado de direito - o que poderá ter acontecido nos tempos mais recentes -" e manifestou "estranheza" por o texto do PCP não referir "os problemas da comunidade portuguesa, com a sugestão irónica de que "o internacionalismo ideológico" dos comunistas não inclui "portugueses e comunidades".

O deputado do CDS-PP Telmo Correia referiu que a situação "passou um grau, de um regime chavista-marxista, mais ou menos folclórico, para um grau inequívoco de ditadura". "Vemos um Parlamento suspenso por ordem de um tribunal, cargas policiais, perseguições, prisões e uma situação política e económica insustentável. O regime venezuelano tem de regressar e aceitar a democracia, a ordem constitucional. A ditadura não é aceitável", defendeu, incitando o PCP a condenar o sucedido.

A socialista Lara Martinho e o bloquista Pedro Filipe Soares apelaram ao restabelecimento da ordem constitucional e democrática e também da confiança em geral.

Nas votações, o voto apresentado pelo CDS-PP, de "condenação e preocupação", foi aprovado, apesar da abstenção de PS e PAN no ponto 1.º, que referia "consequências graves para o povo venezuelano e, em particular, para a comunidade portuguesa residente naquele país", e dos votos contra de PCP e PEV. Os pontos 2.º e 3.º, respectivamente sobre a necessidade de "clima de confiança, diálogo e estabilidade" e de apelo às autoridades venezuelanas para permitirem a chegada de ajuda internacional, foram aprovados por todos os partidos excepto pelo PCP e PEV, com o BE a juntar-se no "chumbo" do último.

Já o documento do PCP só viu aprovado o ponto 2.º - reafirmando o direito do povo venezuelano a decidir soberanamente o seu caminho de desenvolvimento livre de ingerências e pressões externas - apesar dos votos contra de PSD e CDS-PP e da deputada socialista Wanda Guimarães. O ponto 1.º, que repudiava "acções de ingerência e desestabilização política, económica e social contra a República Bolivariana da Venezuela", foi rejeitado com a oposição de PS, PSD e CDS-PP e a abstenção do PAN.

O Parlamento aprovou ainda um texto do BE de congratulação pelos avanços nas iniciativas pela paz no País Basco, embora com abstenções por parte de PSD e CDS-PP. A bloquista Joana Mortágua elogiou os esforços das partes após 50 anos de conflitos e de cinco anos de cessar-fogo, enquanto o social-democrata Luís Campos Ferreira sugeriu que o BE devia condenar os 40 anos de terrorismo perpetrado pela ETA.

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