Hospitais privados reforçam peso no país com mais unidades, camas e urgências

Apesar do peso dos privados, três em cada quatro cirurgias ainda são feitas pelos hospitais do SNS, que em 2015 realizaram mais de 660 mil operações, sobretudo as mais complexas.

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As cirurgias mais complexas ainda são feitas no SNS MARIA JOÃO GALA

Em dez anos, Portugal viu abrir mais 20 hospitais privados em todo o país. As unidades privadas têm agora 11.196 camas, quando em 2005 tinham apenas 8899. Entre 2014 e 2015 este valor aumentou 8,5%.

Também o número de atendimentos nos serviços de urgência nos hospitais privados foi reforçado, com um crescimento de 14,5%, entre 2014 e 2015. Há igualmente mais consultas e mais tratamentos, como fisioterapia ou radioterapia nestas unidades de saúde. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE) e foram publicados a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se comemora nesta sexta-feira.

“Em 2015, existiam 225 hospitais em Portugal, sendo que 114 pertenciam aos serviços oficiais de saúde (110 hospitais públicos e 4 hospitais em parceria público-privada, o equivalente a 50,7% do total) e 111 eram hospitais privados (49,3%)”, sintetiza o INE, que destaca que só em número de camas os privados tiveram um aumento de 880 vagas entre 2014 e 2015, último ano com dados disponíveis. No total, o país soma 35.223 camas, sendo 68,2% do sector público – que mesmo assim perdeu 4500 desde 2005.

Apesar da capacidade instalada nos privados, a verdade é que três em cada quatro cirurgias ainda são feitas pelos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que em 2015 realizaram mais de 660 mil operações, sobretudo as mais complexas.

Mais consultas médicas

No que diz respeito a consultas médicas, o crescimento acompanha tanto o SNS como o sector privado, com este último a assistir a um crescimento de 500 mil consultas (mais 9,5%) em apenas um ano.

Os dados do INE mostram que o único indicador em que os privados vão em sentido contrário é nos chamados actos complementares de diagnóstico e terapêutica, que correspondem, por exemplo, a análises, exames de imagiologia, endoscopias ou biópsias. Em 2015, todos os hospitais fizeram cerca de 140 milhões de actos deste género. O SNS é responsável por 92% destas análises e exames, o que representa um aumento em relação a 2014. Já os privados realizaram menos actos complementares de diagnóstico e terapêutica: 12,8 milhões, em 2014; 11,8 milhões, em 2015, o que representa uma quebra de 7,4%.

Parte desta alteração pode ser explicada pelas políticas seguidas pelo Ministério da Saúde com o objectivo de reduzir as convenções com os privados e rentabilizar a capacidade de resposta das unidades do SNS. Apesar disso, os privados reforçaram o seu papel nos chamados actos complementares de terapêutica, com um crescimento de 11,9%, em áreas como a fisioterapia, a radioterapia ou tratamentos na área da imunohemoterapia. “A fisioterapia constituiu a principal área em 2015 nos hospitais dos serviços oficiais de saúde (64,3%) e sobretudo nos hospitais privados (91,4%)”, explica o INE.

A síntese feita para o Dia Mundial da Saúde adianta, ainda, que em 2015 houve mais médicos (3,7%) e enfermeiros (2,1%) a inscreverem-se nas respectivas ordens profissionais. Nesse mesmo ano houve mais mortes atribuídas às doenças do aparelho circulatório, como enfartes e acidentes vasculares cerebrais, e a cancros. Já os óbitos ligados ao VIH/sida caíram.

Os partos foram outro dos indicadores seleccionados pelo INE. Em 2015 foram feitos 84.584 partos, quase mais 3000 do que no ano anterior. Perto de 1500 foram de gémeos. Em 45 dos casos as mães tinham menos de 15 anos e em 203 situações tinham mais de 45 anos. A idade mais comum para a maternidade está entre os 30 e os 34 anos, que reúne mais de 35% dos partos. “Comparando com os partos registados uma década antes, verificou-se uma diminuição da proporção das mães com idades mais jovens (18,5% de partos de mães com menos de 25 anos em 2005 e 13,0% em 2015) e um aumento da proporção de partos em idades mais avançadas (3,5% de partos de mães com 40 anos ou mais em 2005 e 5,5% em 2015)”, diz o INE.