Comandos: chefe de instrutores indiciado por ofensas à integridade física no exercício de funções militares

Capitão é décimo arguido no inquérito-crime às mortes no curso 127 dos Comandos. Esta semana, mais quatro instrutores serão constituídos arguidos.

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Comandos na noite da partida do contingente para a missão de paz na República Centro-Africana em Janeiro de 2017 Miguel Manso

O capitão que liderava o grupo de instrutores do curso 127 dos Comandos, no qual morreram em Setembro dois jovens recrutas, foi interrogado ao início da tarde desta segunda-feira no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) e ficou com medida de termo de identidade e residência, indiciado pelo crime de abuso de autoridade por ofensas à integridade física, previsto no art.º 93 do Código de Justiça Militar.

Este oficial comandava a Companhia de Formação do Regimento de Comandos, estando acima de todos os instrutores do curso 127.

O arguido não prestou declarações aos investigadores do inquérito-crime às duas mortes do curso 127, conduzido pela procuradora Cândida Vilar, com a colaboração da Polícia Judiciária Militar, disse ao PÚBLICO fonte ligada ao processo.

A investigação, iniciada em Setembro, tem agora dez arguidos: além deste capitão, que liderava a formação, cinco oficiais – um dos quais o capitão-médico –, dois sargentos e dois enfermeiros.

Esta semana serão constituídos mais quatro arguidos. A notícia, avançada pelo programa Sexta às 9, da RTP, foi confirmada ao PÚBLICO por uma fonte ligada ao processo. Trata-se de dois alferes e dois sargentos. Eram instrutores dos dois grupos em que não estavam nem o 2.º furriel Hugo Abreu nem o soldado Dylan da Silva, que vieram a falecer em 4 e 10 de Setembro de 2016.

Nos dois grupos dos instrutores que serão constituídos arguidos esta semana houve porém recrutas a necessitarem de assistência médica no Posto de Socorros do Campo de Tiro de Alcochete, onde decorria a Prova Zero do curso, ou a serem levados para o Hospital das Forças Armadas.

Pelo menos um dos instruendos do 2.º Grupo permaneceu quatro dias no serviço dos Cuidados Intensivos, como consta dos exames clínicos que estão junto ao processo do inquérito-crime consultado pelo PÚBLICO. Nesse caso, o instruendo fez hemodiálise até final de Setembro, teve alta hospitalar no dia 30 de Setembro, mas continuou a ser seguido por ainda estar em recuperação renal e sob vigilância clínica, pelo menos até Dezembro de 2016.