Gianluigi Buffon: o jogador dos 1000 jogos

Em mais de 20 anos de carreira, o guarda-redes italiano já conquistou muitos títulos. Até um na II Divisão italiana. Só lhe falta uma Liga dos Campeões no currículo.

Gianluigi Buffon conta com 20 títulos na carreira
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Gianluigi Buffon conta com 20 títulos na carreira Reuters/STEFANO RELLANDINI

Gianluigi Buffon, de 39 anos, prepara-se para virar esta sexta-feira mais uma página da sua longa carreira. Ao entrar em campo para capitanear a Itália no jogo frente à Albânia, a contar para a qualificação para o Mundial de 2018, a jogar-se na Rússia, o capitão dos "azzurri" chegou ao seu 1000.º jogo oficial como sénior. Para trás foram 999 jogos, completados ao serviço do Parma, o seu primeiro clube, da Juventus e da selecção italiana.

Mas para se ter noção da dimensão da personalidade do capitão da Itália, temos que subtrair desses 999 jogos os 37 que remontam à época 2006-07. A Juventus estava no período mais difícil dos seus 120 anos de história. Falamos da época em que a "vecchia signora" foi despromovida para a II Divisão, depois de se ver envolvida no escândalo que afectou o futebol italiano em meados de 2006. Algumas estrelas saíram, como Zlatan Ibrahimovic, Gianluca Zambrotta, Patrick Vieira, Fabio Cannavaro. Mas outros não se juntaram ao êxodo e ficaram: Alessandro Del Piero, Pavel Nedved, Mauro Camoranesi, David Trezeguet e Buffon.

O capitão italiano explicou a sua decisão ao desportivo italiano Corriere dello Sport: “Eu decidi ficar na Juve, primeiro do que tudo, porque acredito na gratidão. É um valor que nós, como sociedade, faríamos bem em trazer de volta à superfície”.

Foi uma prova de amor ao desporto, ao futebol e ao clube. “O futebol não é só um negócio, também envolve sentimentos. Devemos perceber que a modalidade morreria sem um e sem o outro”, disse o guarda-redes.

Buffon, que poderia ter saído da Juventus em vez de ir para à II Divisão, ajudou a equipa a erguer o troféu da Serie B. Na época 2007-08, a "vecchia signora" estava de regresso à I Divisão, competição que o guardião já conquistou sete vezes, todas com a Juventus (2001-02, 2002-03, 2011-12, 2012-13, 2013-14, 2014-15 e 2015-16).

Também com a "Juve", Buffon conquistou duas Taças de Itália (2014-15 e 2015-16) e cinco Supertaças de Itália (2002, 2003, 2012, 2013 e 2015).

O que o guardião nunca conseguiu ganhar, até hoje, com os "bianconera" foi uma competição europeia. Essa proeza teve-a ao serviço do seu primeiro clube, que o transferiu para Turim por aproximadamente 50 milhões de euros, valor recorde por um guarda-redes.

Ao serviço do Parma, que declarou falência em 2015, Buffon levantou a então Taça UEFA (a 2.ª no palmarés do clube), depois dos italianos terem derrotados os franceses do Marselha por 3-0, na final de Moscovo, a 12 de Maio de 1999, com um "onze" inicial que contou com jogadores como Fabio Cannavaro e Hernan Crespo. Jogando no Parma, também ganhou uma Taça de Itália (1998-99) e uma Supertaça de Itália (1999).

O palmarés de Buffon também conta com o maior troféu no que diz respeito ao futebol de selecções. A 9 de Julho de 2006, no Mundial que se realizou na Alemanha, a Itália derrotou a França por 5-3 em penáltis, depois de se ter verificado um 1-1 no tempo regulamentar e extra. O guardião já participou em cinco mundiais e se para o ano estiver presente na Rússia estabelecerá o recorde de seis aparências na prova. 

Gianluigi Buffon tem 220 jogos pelo Parma e 612 pela Juventus, e tem 167 internacionalizações. A sua primeira partida foi em Novembro de 1995, quando tinha 17 anos e manteve as redes do Parma intactas frente ao AC Milan.

O italiano estabeleceu algumas marcas impressionantes. É o jogador da Juventus com mais minutos na Serie A (39.681 minutos) e é o guarda-redes que esteve mais tempo sem sofrer um golo no primeiro escalão do futebol italiano (974 minutos). 

Apesar dos seus 39 anos, que se pode esperar do futuro? Embora a antiga estrela da Juventus, Pavel Nedved, ter expressado o desejo de ver Buffon jogar até aos 50 anos, o guardião já fez saber que pretende pendurar as chuteiras e, já agora, as luvas, em 2018, depois de terminado o Campeonato do Mundo de futebol, na Rússia.