Grupo de Visegrado vê com maus olhos uma Europa a duas velocidades

O grupo tem divergências sobre a União Europeia, mas entende-se para exigir que os parlamentos nacionais passem a ter mais relevo nas decisões.

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Os primeiros ministros checo, Bohuslav Sobotka, polaco, Beata Szydlo, húngaro, Viktor Orban e eslovaco, Robert Fico Reuters

O Grupo de Visegrado, que inclui a Polónia, Hungria, Republica Checa e Eslováquia, reagiu esta quinta-feira, pela primeira vez, ao Livro Branco da Comissão sobre o futuro da Europa. O grupo, que regista entre si algumas divergências sobre a União Europeia, apenas se entendeu para exigir que os parlamentos nacionais passem a ter mais relevo nas decisões, alertando também para o risco de uma Europa a várias velocidades, que geraria mais desigualdades entre os Estados-membros.

No comunicado conjunto que aprovaram em Varsóvia, antecipando o Conselho Europeu de Roma para celebrar os 60 anos da União (a 25 de Março), exortam a Europa a considerar “um papel mais significativo e definitivo” dos parlamentos nacionais no processo de tomada de decisão, de forma a “melhorar a legitimidade” das instituições europeias. Quanto à ideia das várias velocidades, que o Livro Branco contempla e que Paris e Berlim defendem abertamente, ela foi vista como um “castigo” em alguns destes países, hoje governados por partidos de cariz nacionalista, que Bruxelas acusa de violarem os princípios da democracia e do Estado de direito. As situações são distintas. A Polónia e a Hungria são os dois casos mais graves. O Governo checo é pró-europeu. Na Eslováquia, a tentação populista também atinge o seu actual primeiro-ministro, Robert Fico.

Falando pelo seu país, a primeira-ministra polaca, Beata Szydlo, insistiu em que as mudanças na União Europeia não devem desembocar em “divisões permanentes”. O eslovaco Robert Fico acrescentou que o estado de preparação da cimeira de Roma é “lamentável”. “Pode acontecer que não haja uma visão da Europa para o futuro, mas apenas um conjunto de interesses nacionais e individuais que não ajudam ninguém, apenas causam problemas. O seu homólogo checo preferiu sublinhar que “não há uma posição comum naquilo que diz respeito aos países de Visegrado”.