O Vá-vá, casa do Cinema Novo Português, foi vendido mas “não perde a identidade”

A venda foi feita por um “preço irrisório”, afirmou um dos antigos donos. O café vai estar encerrado para obras durante um mês, mas vai manter os funcionários, o nome e a identidade.

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O Vá-vá debatia-se há vários anos com problemas financeiros Nuno Ferreira Santos
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O Vá-vá debatia-se há vários anos com problemas financeiros Nuno Ferreira Santos

“A nossa maior preocupação era salvaguardar o pessoal e o café. Isso foi feito”. É de “consciência tranquila” que Fernando Eusébio e João Pereira se despedem como donos do Vá-vá. O histórico café e restaurante da Avenida dos Estados Unidos da América, em Lisboa, foi esta semana vendido a um grupo empresarial português, até ao momento por identificar.

O café vai estar encerrado para obras durante um mês. Fernando Eusébio disse ao PÚBLICO que espera que o espaço volte a abrir em Abril “ou até mais cedo.” “Vão fazer aqui uma limpeza, mas o Vá-vá não acaba. O nome vai ficar o mesmo e o café não perde a identidade”, garante o antigo dono. Este sábado é o último dia de trabalho de Fernando e João, há 32 anos à frente dos destinos do café e restaurante onde nasceu o movimento do Cinema Novo Português.

O Vá-vá debatia-se há vários anos com problemas financeiros. A casa só é sustentável “pela boa vontade de alguns sócios” devido ao aumento do valor da renda que não acompanhava o fraco crescimento do negócio, como Fernando já tido dito ao PÚBLICO em Dezembro. A renda só iria aumentar em 2018, mas os antigos sócios preferiram prevenir. “É melhor do que remediar. A renda ia para preços exorbitantes que nós não podemos pagar”, concluiu.

A venda foi feita por um “preço irrisório”, afirmou Fernando Eusébio, sem adiantar qual o valor.

O letreiro a anunciar o fecho do Vá-vá já está na porta. Fernando prepara-se para tirar as últimas bicas e despedir-se dos funcionários. Em Abril, eles voltam.