Leixões recebe investimento de 430 milhões de euros nos próximos dez anos

Só a construção de um novo terminal de contentores deverá criar mais de 4800 novos postos de trabalho. Plano estratégico do porto vai ser colocado em debate público a partir do próximo mês.

PAULO PIMENTA
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PAULO PIMENTA

O maior investimento que vai ser feito pelo Porto de Leixões nos próximos dez anos vai estar localizado mesmo junto ao Terminal de Cruzeiros de Leixões, um edifício que foi recentemente distinguido com o prémio de edifício do ano no reputado concurso dinamizado pela revista Archdaily. Trata-se da construção de um novo terminal de contentores, que deverá ser alvo de um concurso público e ser construído no âmbito de uma concessão (parceria público-privada), implicar um investimento de 320 milhões de euros e com conclusão prevista para 2025. Mas a discussão sobre os impactos que este terminal, e todos os investimentos que estão previstos no plano Estratégico do Porto de Leixões, poderá arrancar dentro de um mês.

Durante a cerimónia de apresentação pública dos investimentos que vão ser feitos em Leixões, no âmbito da "Estratégia para o aumento da Competitividade Portuária"  desenhada pelo Ministério do Mar, o presidente da Administração dos Portos de Douro e Leixões (APDL), Brogueira Dias, anunciou que o estudo de impacto ambiental das obras do prolongamento do quebra-mar vai ser lançado em breve, e exortou toda a gente a participar no debate público: não só as autarquias, como os pescadores e as escolas de surf, cujos representantes estiveram na sessão a manifestar as suas preocupações. Depois de ter ouvido o presidente da câmara de Matosinhos, Eduardo Pinheiro, afirmar que o porto de Leixões é um dos bons exemplos da excelente relação de uma cidade com o seu porto, Brogueira Dias repetiu que não se trata de relações de amizade, mas sim de “trabalho sério e continuo”. “Costumo dizer que num porto não passam só rosas. Temos de saber lidar com tudo, e minimizar todos os impactos”, afirmou o presidente da APDL. 

A cerimónia decorreu esta sexta-feira no Terminal de Cruzeiros, tendo o nome do ex-presidente da câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, sido alvo de uma evocação emocionada por parte da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino - que quis dizer que o sucesso do porto e da cidade também são fruto do empenho do autarca falecido em Dezembro. O novo terminal de contentores é a obra mais volumosa de um plano estratégico que definiu um investimento directo de 430 milhões de euros a realizar até 2026 e que vai permitir ao Porto de Leixões crescer, nos próximos dez anos, 73% na carga contentorizada e 44% na carga total. No rol de impactos previstos pela construção do novo terminal de contentores sobressai a estimativa de emprego: a APDL aponta para a criação de 4840 postos de trabalho.

O plano de investimentos aponta também para a reconversão do terminal de contentores sul (que vai receber um investimento de 43,5 milhões de euros e aumentar a sua actual capacidade em 26%), para uma intervenção no terminal de granéis sólidos alimentares (um investimento de 12 milhões de euros para aumentar a sua produtividade e capacidade, mas também para diminuir os índices de poluição associados) e pela concretização da plataforma multimodal logística (um investimento de 180 milhões de euros, a concretizar até 2022 e que vai dotar a região de dois polos logísticos, um deles com um terminal intermodal ferroviário).

Bem na fotografia

Todos estes investimentos deverão permitir que o Porto de Leixões possa aproveitar este aumento de capacidade e a sua localização geográfica para “passar de porto feeder, que alimenta os outros portos nacionais, para principal porto gateway no Norte da Península Ibérica”, afirmou Ana Paula Vitorino. A fotografia que pode ser tirada neste momento à importância que Leixões ocupa no sistema portuário revela que está já bem posicionado para o alcançar. Por este porto passaram no ano passado 20% de todas as cargas movimentadas no portos do continente: foram 18,3 milhões de toneladas, das quais 4,7 milhões foram destinadas a exportações para 184 países. O porto movimentou 660 mil TEU (unidades de medida de um contentor equivalente a 20 pés) e está já no limite da sua capacidade. Depois de receber todas estas intervenções, poderá movimentar 1,6 milhões de TEU – isto é, poderá mais do que duplicar a sua capacidade.

A ministra do Mar sublinhou que não há qualquer excesso de optimismo em todas estas previsões, e que o avanço dos investimentos é necessário não apenas para dar resposta às exigências imediatas, como para acomodar a tendência de crescimento que se adivinha para os próximos anos. "Os dados de Janeiro de 2017 antevêem um ano de novos recordes para os portos do continente. O facto de Leixões ter perdido ligeiramente, em termos homólogos, na movimentação de contentores, deve-se ao facto de Lisboa estar a recuperar algumas linhas que perdeu no âmbito carga contentorizada

Ana Paula Vitorino recordou as orientações estratégicas para o sector marítimo-portuário que desenhou há dez anos, quando era secretária de Estado dos Transportes, para dizer que os portos cresceram 180% na ultima década, mesmo sem os investimentos que então propunha (e que não avançaram, a partir de 2012 e até 2015, anos em que o país esteve sob assistência financeira). “Agora queremos que eles cresçam 200% em dez anos”, frisou. "Temos que ir mais longe, porque não só o tráfego que se verificou [no porto] o exige como também a economia nacional o exige", sublinhou, concluindo que "os projectos já estão todos a ser feitos". E anunciou que em cada um dos portos será criado um grupo de trabalho que funcionará como uma espécie de "comissão de acompanhamento" para garantir a execução dos planos de cada um dos portos nacionais.