Carrilho acusado de agredir e insultar psiquiatra

Pedro Strecht foi a tribunal prestar declarações e terá sido agredido no intervalo da sessão pelo antigo ministro da Cultura.

O incidente foi testemunhado por várias pessoas, incluindo a juíza que presidia a sessão
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O incidente foi testemunhado por várias pessoas, incluindo a juíza que presidia a sessão DR

Manuel Maria Carrilho prepara-se para enfrentar um novo julgamento, segundo informou, nesta quinta-feira, o Ministério Público (MP). Foi acusado de ter agredido e insultado o pedopsiquiatra Pedro Strecht, no intervalo de uma das sessões do julgamento do processo de promoção da protecção da guarda dos dois filhos que tem com a ex-mulher, Bárbara Guimarães.

O antigo ministro da Cultura está acusado do crime de ofensa à integridade física qualificada e injúria agravada, diz o MP. O incidente remonta a 22 de Janeiro de 2016, no Campus da Justiça, em Lisboa, no intervalo de uma das sessões do julgamento do processo relacionado com os filhos de Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães. Pedro Strecht tinha sido chamado a tribunal para prestar declarações no âmbito dos relatórios que elaborou para o processo, conta por sua vez o Jornal de Notícias, que confirmou àquele jornal ter conhecimento da acusação, recusando comentar o caso.

No intervalo da sessão, o antigo governante terá empurrado Strecht contra uma parede, “provocando-lhe dores”, descreve o MP, “apelidando-o de ‘filho da mãe’, ‘cabrão’, ‘miserável’ e ‘cafre’”.

De acordo com o Jornal de Notícias, diferentes pessoas testemunharam o sucedido, incluindo a juíza que presidia à sessão e também advogados. O tribunal anotou a ocorrência. O inquérito foi dirigido pelo MP, na 10.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.

Carrilho nega

Manuel Maria Carrilho contesta a veracidade da notícia. Em comunicado, diz que Pedro Strecht “visava descredibilizar” os depoimentos prestados pelo seu filho mais velho em tribunal (primeiro no Tribunal Criminal de Lisboa, em 2015, e depois no Tribunal de Menores, em 2016) com o que escreveu nos relatórios que apresentou na sessão do dia 22 de Janeiro de 2016.

“Para lá do título, o artigo contém várias falsidades que não constam de todo do processo”, escreve Manuel Maria Carrilho, acrescentando que o mesmo ainda se encontra em período de instrução. Carrilho refere que uma das testemunhas citadas pelo Jornal de Notícias afirmou no processo “nada ter visto” e que duas delas são próximas da esfera de Strecht e de Bárbara Guimarães, mostrando, por isso, falta de “crebilidade”, acusa o antigo ministro socialista.

"É importante acrescentar que a própria assistente de Pedro Strecht, ali presente e indicada como testemunha, afirmou no processo (que, de resto, ainda se encontra em período de instrução) nada ter visto. Mas mais importante ainda é o facto de as outras únicas testemunhas de Pedro Strecht nesta falsa acusação serem ...o Dr. Pedro Reis, advogado da minha ex-mulher, e a sua filha Inês Reis. O que, a meu ver, diz tudo sobre a intenção e a credibilidade desta falsa acusação", acrescenta a mesma nota.

O desfecho do julgamento sobre a guarda dos filhos acabou por ser conhecido em Março de 2016, altura em que Carrilho ficou com a guarda do filho mais velho e Barbara Guimarães com a da filha mais nova, relata o Jornal de Notícias.

O processo em que o antigo ministro socialista é acusado de violência doméstica contra Bárbara Guimarães já dura há um ano e ainda continua. A próxima sessão está marcada para segunda-feira.

Notícia actualizada às 16h53, com a reacção de Manuel Maria Carrilho

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