Embaixada Portuguesa na Tailândia
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Embaixada Portuguesa na Tailândia

Já há um mural de Vhils em Banguecoque

Depois de Macau, em Dezembro de 2016, Vhils gravou os rostos de Banguecoque no muro da embaixada portuguesa na Tailândia

Os rostos de Banguecoque, em especial os olhos, estão a partir desta sexta-feira, 10 de Fevereiro, gravados no muro da embaixada portuguesa na Tailândia, através de um mural de Vhils que deseja homenagear a relação de longa data entre os dois países.

"A ideia foi fazer uma obra que faz uma ponte entre as duas culturas, dado que é o muro da embaixada. É uma relação que já acontece há mais de 500 anos e quis fazer uma homenagem a esta relação de tanto tempo", explicou à Lusa Alexandre Farto, o artista conhecido como Vhils.

Os rostos tailandeses, inspirados numa série de retratos que tirou noutra visita ao país, interagem com "algumas referências à azulejaria portuguesa" para "criar quase uma composição de uma simbiose". O símbolo máximo deste encontro é "o olho, a íris, que é algo que nos humaniza a todos, um ponto em comum", explica. O artista quis assim "fazer essa justaposição com rostos deste local e com imagens que remetem um bocadinho a elementos gráficos portugueses".

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Após o convite da embaixada e o consequente trabalho de investigação, Vhils apercebeu-se de que a relação entre Portugal e a Tailândia é "muito forte, já vem de há muito tempo e teve um peso enorme na Tailândia", referindo-se a laços de mais de 500 anos. A representação diplomática portuguesa é a mais antiga de Banguecoque, situada num terreno oferecido pelo Rei Rama II, em 1820.

Alexandre Farto recorreu, neste mural, à técnica que tem vindo a utilizar em todo o mundo. "Consiste em trabalhar sobre as camadas do muro, tentado revelar algo que está invisível no muro. Há partes do muro em que se conseguem ver resquícios de murais que tinham sido pintados anteriormente. A ideia é tornar visível aquilo que está dentro do muro, que é a história deste local também, porque o muro tem várias camadas, viveu em vários momentos."

A obra é uma iniciativa da embaixada de Portugal e do Centro Cultural Português em Banguecoque, com o apoio do Instituto Camões e do Minor Group. Depois de Macau, onde em Dezembro de 2016 criou um mural que retrata Camilo Pessanha, Banguecoque torna-se a segunda embaixada em que deixa a sua marca. A cooperação institucional é algo que o interessa, "desde que haja sempre abertura para que o trabalho tenha a sua liberdade, o que sempre foi respeitado".

Na inauguração, o embaixador português, Francisco Vaz Patto afirmou que "Vhils é um dos artistas portugueses contemporâneos mais apreciados e, através do seu trabalho, chega aos nossos corações". "Cabe-vos agora explorar esta maravilhosa peça de arte", disse perante algumas dezenas de convidados — sobretudo portugueses, tailandeses e diplomatas de vários países — que se juntaram ao fim da tarde na embaixada.

Além de várias criações em Portugal, Alexandre Farto tem trabalhos em países como Malásia, Hong Kong, Itália, Estados Unidos, Ucrânia, Brasil. Alexandre Farto cresceu no Seixal, onde começou por pintar paredes e comboios com graffiti, aos 13 anos, antes de rumar a Londres, para estudar Belas Artes, na Central Saint Martins. Em 2014, inaugurou a sua primeira grande exposição numa instituição nacional, o Museu da Electricidade, em Lisboa: Dissecação/Dissection atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses. Esse ano ficaria também marcado pela colaboração com a banda irlandesa U2, para quem criou um vídeo incluído no projecto visual Films of Innocence, editado em Dezembro de 2014, e é um complemento do álbum Songs of Innocence.

Em 2015, o trabalho de Vhils também chegou ao espaço, através da Estação Espacial Internacional, no âmbito do filme O sentido da vida, do realizador Miguel Gonçalves Mendes. Em Março de 2016, inaugurou a primeira exposição individual em Hong Kong, Debris, no topo do Pier 4 (Cais 4), uma mostra que reflecte a cidade e a identidade de quem nela habita para ver e, sobretudo, "sentir". Também no ano passado, Vhils recebeu o prémio personalidade do ano 2015 da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal. Paralelamente ao desenvolvimento da sua carreira criou, com a francesa Pauline Foessel, a plataforma Underdogs, projecto cultural que se divide entre arte pública, com pinturas nas paredes da cidade, e exposições dentro de portas, em Lisboa.

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