Comboio de mercadorias descarrila na Beira Alta

CP está a fazer serviço rodoviário entre Celorico da Beira e Guarda.

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LUSA/MIGUEL PEREIRA DA SILVA

Um comboio de mercadorias da Medway (antiga CP Carga) descarrilou nesta sexta-feira às 16h27 perto de Vila Franca das Naves. Não houve vítimas, mas cerca de 500 metros de via férrea ficaram destruídos. Uma equipa do GISAF (Gabinete de Investigação e Segurança de Acidentes Ferroviários) foi deslocada para o local do acidente.

A composição vinha de Espanha com destino a Alfarelos e transportava produtos siderúrgicos. O acidente ocorreu quando o último vagão do comboio saltou dos carris, tendo sido arrastado durante 500 metros, provocando fortes danos na linha.

A linha da Beira Alta deverá ficar cortada durante pelo menos toda a noite, estando a CP a realizar transbordo rodoviário entre as estações de Celorico da Beira e a Guarda.

O acidente afectou, para já, a circulação de três Intercidades, quatro Regionais e os dois comboios internacionais Sud Expresso (Lisboa-Hendaya) e Lusitânia Expresso (Lisboa-Madrid). 

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Nos últimos três anos houve, pelo menos, cinco descarrilamentos na Beira Alta. Dois deles ocorreram no mesmo mês, em Maio de 2014, perto de Mortágua, tendo a linha ficado danificada durante vários meses e obrigado à passagem dos comboios naquele troço à velocidade de dez quilómetros por hora. Em Julho desse ano, um outro comboio de mercadorias descarrilou em Muxata (Fornos de Algodres).

Em 2015 um comboio de mercadorias descarrilou à entrada da estação da Pampilhosa, também na linha da Beira Alta e em Janeiro de 2016 foi uma automotora de serviço regional que descarrilou ao embater numa barreira em Contenças (Mangualde).

Dos inquéritos então feitos pelos operadores (CP ou empresas privadas de transporte de mercadorias) e pela Refer (agora designada Infra-estruturas de Portugal) não se conhecem conclusões sobre a causa dos acidentes, que tanto podem ter sido motivados por defeito do material circulante como por eventual mau estado da via-férrea (ou por ambos).

O certo é que nos últimos anos, devido a restrições orçamentais, foram reduzidos ao mínimo os trabalhos de manutenção da linha da Beira Alta, sendo visível, por exemplo, que os caniços e vegetação junto à via férrea não têm sido cortados e que as valetas de escoamento de águas não estão em bom estado.

No Inverno do ano passado o túnel de Trezói (Mortágua) inundou e a circulação teve de ser suspensa. E houve vários episódios de queda de barreiras e de pedras na linha que a obstruíram, mas sem provocar danos nos comboios.

Em Fevereiro do ano passado o governo anunciou investimentos de 691 milhões de euros para modernizar toda a linha da Beira Alta, a par da construção de uma nova linha entre Aveiro e Mangualde que custaria 675 milhões de euros, mas cujo financiamento com fundos comunitários foi chumbada por Bruxelas.

As hesitações da Infra-estruturas de Portugal sobre a abordagem a fazer à via-férrea da Beira Alta, face à alternativa de um novo corredor Aveiro – Mangualde, têm levado ao adiamento de decisões que têm consequências na degradação da actual linha.

Sempre que há descarrilamentos a principal via-férrea portuguesa de acesso à Europa fica interrompida, recorrendo-se ao transbordo rodoviário. Mas desde 2009 que permanecem encerrados 46 quilómetros de linha entre a Guarda e Covilhã que poderiam ser alternativa para o escoamento do tráfego ferroviário via Beira Baixa. O Governo anunciou na semana passada que as obras naquele troço iriam ser retomadas.