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Líderes da revolta de Manaus transferidos para outras prisões

Guerra de gangs causou 56 mortos em cadeia no Brasil.

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Familiares dos presos protestam junto da polícia Reuters

Os líderes da revolta na prisão de Manaus que causou 56 mortos serão transferidos para outras cadeias federais fora do estado do Amazonas, anunciou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, após reunião com o governo do Amazonas.

"A intenção é fazer essa transferência o mais rápido possível", disse o ministro aos jornalistas em Manaus.

O Governo federal também vai disponibilizar ajuda ao Instituto Médico Legal do estado para a identificação das vítimas da revolta, iniciada na noite de domingo, fruto de uma briga entre gangs e que só terminou na manhã de segunda-feira.

Além dos 56 mortos no motim dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), mais quatro presos foram mortos na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na zona rural de Manaus, de acordo com o Comitê de Gerenciamento de Crise do Sistema de Segurança Pública.

A maior parte das vítimas, segundo a imprensa brasileira, estará ligada ao Primeiro Comando da Capital ou PCC, um dos grupos criminosos mais perigosos do Brasil, oriundo de São Paulo. A origem do motim está a ser atribuída à Família do Norte, uma organização criminosa do Amazonas, que mantém pelo menos desde 2015 um conflito com o PCC, pelo controlo do tráfico de cocaína — o Brasil é já o segundo maior consumidor desta droga, a seguir aos Estados Unidos.     

A revolta no Compaj foi a mais violenta no país desde a rebelião no Carandiru, em São Paulo, em 1992, que terminou com 111 presos mortos, quase todos após a entrada da polícia para controlar o local.

De acordo com o secretário de Administração Penitenciária do Amazonas, Pedro Florêncio, o complexo penitenciário tinha cerca de 2230 presos, apesar de ter capacidade para apenas 590.

O Comitê de Gerenciamento de Crise do Sistema de Segurança Pública disse que 112 presos fugiram do Compaj durante o motim, além de 72 do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). Até o fim da tarde de segunda-feira, 40 tinham sido recapturados.

Nos últimos anos, diversas revoltas têm sido registradas em cadeias do país, apesar das denúncias dos defensores de direitos humanos sobre a superlotação e falta de funcionários suficientes nas cadeias.

A ONG de direitos humanos Human Rights Watch pediu às autoridades brasileiras que façam uma reforma no sistema prisional, que consideram um "desastre" para os direitos humanos.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, que cita um relatório de Outubro passado do Conselho Nacional de Justiça do Brasil, as condições da prisão Anísio Jobim são “péssimas”. Os presos não têm assistência jurídica, educacional, de saúde e social, sendo as condições para a reinserção social igualmente “péssimas”.

Esta prisão, a maior da unidade do estado do Amazonas, não conta com aparelhos para detectar a entrada de metais e não tem qualquer tipo de bloqueadores para redes telefónicas móveis.

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