Pais pedem reabilitação urgente da escola secundária José Falcão

O edifício tem 80 anos e nunca foi alvo de uma intervenção de fundo. Ministério da Educação diz que está “desenvolver esforços” para reabilitar a escola de Coimbra.

Pais dizem que o estado do edifício põe em causa o bem-estar e a segurança dos cerca de 850 alunos da escola
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Pais dizem que o estado do edifício põe em causa o bem-estar e a segurança dos cerca de 850 alunos da escola Sérgio Azenha

Depois da direcção, é a vez de serem os pais a pedir a requalificação da Escola Secundária José Falcão, alegando que o estado do edifício localizado no centro de Coimbra põe em causa “o bem estar e a segurança” dos cerca de 850 alunos.

A Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária José Falcão lançou a 18 de Dezembro uma petição para levar o “estado de degradação evidente” da escola a discussão na Assembleia da República. A petição, que precisa de quatro mil assinaturas para chegar à Comissão Parlamentar da Educação e Ciência, já conta com mais de mil subscrições.

Os representantes dos pais dizem também que já foram encetados contactos “de maneira informal” com os partidos com representação parlamentar. Isto depois de, em Outubro, quando foram assinalados os 80 anos do edifício, a direcção da escola ter pedido uma “intervenção urgente”. Nas oito décadas de história, diz o director Paulo Ferreira ao PÚBLICO, numa visita pelas instalações da escola, a José Falcão nunca foi alvo de uma “intervenção de fundo”.

Mais recentemente, a escola esteve para ser alvo de intervenção na primeira e na quarta fase do programa Parque Escolar. Na primeira ocasião, havia a ideia de instalar ali o Conservatório de Música de Coimbra, instituição que acabou por ir para a Escola Secundária da Quinta das Flores. A quarta fase do programa coincidiu com a chegada da troika e aplicação do programa de austeridade, e foi congelada.

Também a oportunidade de inscrever a recuperação da José Falcão nas candidaturas ao actual quadro de fundos comunitários passou. Recentemente o governo anunciou a intervenção em 200 escolas. “Ficámos de fora do mapeamento”, refere Paulo Ferreira, que indica que foram as comunidades intermunicipais (CIM) “a definir as prioridades”. Para o director, opção de deixar de fora a José Falcão pode ser explicada devido ao facto de, só em Coimbra, três escolas já terem sido alvo de intervenção.

No entanto, lembra Paulo Ferreira, “nenhuma das que foram intervencionadas tinha tanta idade” como a escola que abriu as portas pela primeira vez no primeiro período de 1936 e é classificada como monumento de interesse público.

Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Educação faz saber que “o investimento na requalificação da Escola Secundária José Falcão não foi inscrito no mapeamento do Acordo de Parceria Portugal 2020, por opção do XIX Governo”. O ministério dirigido por Tiago Brandão Rodrigues avança que “o atual  Governo está a desenvolver esforços que permitam proceder ao investimento na referida requalificação”, sem referir mais pormenores.

Humidade e infiltrações

Na José Falcão, os problemas são visíveis. Ao longo dos corredores, são várias as fissuras e pedaços de argamassa que faltam nos tectos e paredes, há baldes dispostos para evitar que as infiltrações cheguem ao chão e há azulejos que faltam das paredes e do chão. Há também ferros de alguns pilares à vista.

No ginásio o cenário repete-se. Há infiltrações, a humidade é visível no tecto e paredes e vê-se estuque a cair, mas há também os problemas específicos do equipamento. Há falhas no piso e quando os pingos caem do tecto dificulta a prática de desporto. Ali, num espaço aberto a actividades extra-escola como clubes de ténis, ginástica e roller derby.

Paulo Ferreira, na direcção há 14 anos, diz que a intervenção no espaço físico sempre foi a necessidade mais premente. Entre outros problemas, contam-se a luz que vai abaixo por causa da humidade e o frio ou o calor, consoante a época do ano. Os representantes dos pais falam de situações em que os alunos vão “equipados de manta” para as aulas nos laboratórios quando o frio mais se faz sentir.

O director assevera que as fissuras e no tecto e as zonas com queda de argamassa vão sendo acompanhas para garantir a segurança dos alunos e que as verbas próprias que a escola arrecada com arrendamento de espaços “são canalizadas para manutenção”. Mas isso não chega.

Ana Cruz, da associação de pais, realça que a José Falcão “não é uma escola qualquer”, lembrando que é um dos três liceus mais antigos do Portugal, por onde passaram várias figuras que se destacaram em várias áreas. Entre elas estão Almada Negreiros, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, António José de Almeida, Bernardino Machado e Almeida Santos. A responsável não compreende como é que “as outras escolas tenham sido intervencionadas e a José Falcão não”.

A direcção aproveita as pausas lectivas para fazer pequenas intervenções. Quando o PÚBLICO visitou a José Falcão, já depois do Natal, estavam a ser substituídas as coberturas dos laboratórios. Paulo Ferreira explicava também os custos de obras pontuais nas salas, que rondam os cinco mil euros em cada sala, e que vão sendo feitas.

“Vamos intervindo à medida que os problemas vão surgindo”, afirma, referindo como prioridade de uma intervenção de fundo a climatização do edifício. A última intervenção mais substancial no equipamento foi na década de 1990, recorda. Sobre o custo que eventuais obras para requalificar o edifício todo teriam, o director diz que não há nenhum orçamento elaborado. No entanto, a título de exemplo, diz que, só para intervir no piso do ginásio seriam necessários 160 mil euros.