Isaltino, Valentim e Narciso podem estar de regresso em 2017

Ex-dinossauros do poder local estão em reflexão e atiram uma decisão para o primeiro trimestre de 2017, o mesmo calendário dos partidos

Isaltino Morais já recusou ser candidato a Oeiras... pelo PSD
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Isaltino Morais já recusou ser candidato a Oeiras... pelo PSD Enric Vives-Rubio

O eventual regresso de independentes como Isaltino Morais (Oeiras), Valentim Loureiro (Gondomar) e Narciso Miranda (Matosinhos) pode ensombrar as escolhas dos partidos políticos às eleições autárquicas do próximo ano e obrigar a alguns ajustamentos.

Isaltino Morais fala da “pressão” que está a ser feita para que a sua candidatura seja uma realidade e assume que “vai ser difícil resistir a essa pressão”. Sem pressas para tomar uma decisão, o ex-presidente da Câmara de Oeiras disse ao PÚBLICO que em Fevereiro anuncia se avança ou não.

“Já fui candidato a Oeiras sete vezes, mas, sinceramente, nunca senti tanta pressão como agora. Depois de tudo o que passei, nunca senti tantas manifestações de apoio, ternura e afecto”, afirma, deixando a garantia de que só será candidato a Oeiras e como independente, porque é isso que as pessoas lhe pedem. 

A recandidatura de Valentim Loureiro à presidência da Câmara de Gondomar, em 2017, surge como uma possibilidade e, aparentemente, tem o aval dos órgãos locais do PSD, embora o líder concelhio, José Oliveira, diga que “está tudo em aberto”. Todavia, Passos Coelho já veio dizer que não aceita a sua candidatura, uma posição que Valentim Loureiro desvaloriza. “Passos Coelho não tem que se pronunciar sobre a minha candidatura eu não sou militante do PSD”, atira o major, que aproveita para dizer que “no PSD há quem não pense assim”.

Ao PÚBLICO, o ex-autarca faz questão de dizer que gostou “muito” de ser presidente de câmara e afirma que as pessoas se lembram do trabalho que desenvolveu em Gondomar em prol dos mais desfavorecidos.

Questionado sobre se admite ser candidato à Câmara de Gondomar, responde: “Tenho estado a pensar no assunto, mas ainda não está na altura de tomar decisões”. De resto, mostra-se “muito confortável” com os apelos que tem recebido para voltar. Valentim Loureiro foi expulso do PSD, na sequência do anúncio da sua candidatura como independente a Gondomar, em Agosto de 2005.

O regresso de Narciso Miranda pode tornar o combate autárquico em Matosinhos mais difícil para o PS que quer muito reconquistar uma autarquia - um bastião socialista desde sempre. 

Narciso Miranda está no terreno e vigia atentamente tudo o que se passa no PS local e sabe que a sua candidatura como independente será um incómodo para os socialistas. Matosinhos faz parte da lista de “câmaras problemáticas” que a direcção nacional do partido elaborou, em Junho, e por isso vai ser necessário gerir o processo autárquico com pinças, tendo em conta as divisões internas que existem por causa da escolha do candidato - esta semana foi anunciado o nome de Luísa Salgueiro. O líder da distrital do Porto, Manuel Pizarro, garante que a câmara voltaria a ser socialista, mas à cautela o partido manda fazer sondagens.

A menos de um ano das autárquicas, os partidos mobilizam-se para encontrar as melhores soluções. O PS está empenhado em segurar as autarquias que conquistou em 2013, mas reconhece haver municípios que podem mudar de mão.

A Câmara de Coimbra, que o PS conquistou em 2013 com Manuel Machado a liderar a lista, é outra que vai exigir concentração e empenho por parte dos socialistas para evitar que a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) vá parar a outras mãos.

Enquanto isso, o PSD encara a possibilidade de conquistar uma autarquia que já foi sua se apresentar um “candidato credível”. E ao que o PÚBLICO sabe, há alguns nomes na calha, que vão ser testados em sondagens que o partido se prepara para encomendar.

João Moura, presidente da Câmara de Cantanhede, Jaime Ramos, ex-líder da Câmara de Miranda do Corvo, e João Barbosa de Melo que, em 2013, perdeu para Manuel Machado, são três dos nomes de que se falam para disputar a autarquia coimbrã e o partido vai testá-los em sondagens. Mas o nome melhor posicionado para o PSD ganhar a câmara é o de Álvaro Amaro. O autarca da Guarda, que preside à ASD - Associação dos Autarcas Sociais-Democratas, tem um capital de vitórias em terrenos socialistas no seu currículo. Primeiro foi a Câmara de Gouveia e há três anos foi a da Guarda. Álvaro Amaro continua na Guarda, mas acompanha de perto a gestão do socialista Manuel Machado, que foi seu colega de curso.

A coordenadora autárquica do PS, Maria da Luz Rosinha, recusa falar individualmente de cada um dos concelhos. A deputada, garante, em declarações ao PÚBLICO, que o partido “tem a maioria dos concelhos (câmaras e freguesias) decidida”, mas nota que “pode acontecer que não tenha a maioria dos distritos fechados”. Diz que o processo autárquico estará totalmente concluído em Março, ou seja, na mesma altura que o PSD.

Questionada sobre o eventual regresso de Joaquim Raposo, ex-presidente da Câmara da Amadora, apontado para ser candidato a uma câmara da Área Metropolitana de Lisboa, Maria da Luz Rosinha não se compromete.“O que não estiver concluído, não confirmo nem desminto”, afirma.

O coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, revela, por seu lado, que o partido tem “cerca de 80% das candidaturas estabilizadas”, admitindo que possa haver concelhos cujas candidaturas possam acontecer mais cedo, mas nunca antes do calendário definido pela direcção nacional do partido: primeiro trimestre de 2017.

Na última semana, soube-se que Pedro Santana Lopes afastou definitivamente a hipótese de entrar na corrida a Lisboa, o que dificultará as coisas para o PSD em mais um município. No Porto, deverá ser o idnependente Álvaro Almeida a liderar a lista social-democrata contra Rui Moreira. No caso de Oeiras, o coordenador autárquico do PSD afastou, numa recente entrevista ao jornal I, qualquer entendimento com Isaltino Morais, por não se enquadrar “naquilo que o PSD tem estado a definir”. Mas abre a porta a um eventual entendimento com Paulo Vistas, que o partido recusou apoiar em 2013 e que avançou pelo movimento independente liderado por Isaltino.