José Eduardo dos Santos deixa presidência em 2017 e aponta sucessor

Membro do comité central do MPLA confirma que João Lourenço é o sucessor na chefia do partido.

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Reuters

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no poder há 37 anos, não será candidato nas eleições legislativas de 2017, o que significa que deixará a presidência, anunciou na tarde desta sexta-feira a Rádio Nacional de Angola, um órgão de informação oficial.

O chefe de Estado, de 74 anos, deverá ceder o seu lugar à frente do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) ao actual ministro da Defesa, João Lourenço, disse à AFP um membro do comité central do partido, João Pinto.

Em Angola não há eleições presidenciais, o chefe de Estado é o líder do partido vencedor. Por isso, Lourenço é, potencialmente, o próximo Presidente.

José Eduardo dos Santos fez uma intervenção esta sexta-feira na reunião do comité central, na qual defendeu que o MPLA deve lutar pela maioria absoluta nas legislativas e disse que o partido deve unir-se em torno de um candidato.

"O nosso objectivo é ganhar as eleições com uma maioria absoluta ou pelo menos com uma maioria qualificada", afirmou Eduardo dos Santos, citado pela AFP. "A chave para este sucesso é a disciplina e a unidade de todos", reiterou sem oficializar o nome do sucessor.

No último Verão João Lourenço tornou-se vice-presidente do MPLA. Quando nessa altura Eduardo dos Santos foi reeleito à frente do partido e foi aprovada a nova composição do Comité Central, o Novo Jornal referia que João Lourenço poderia vir a abandonar o cargo de ministro para ser vice-presidente no Governo.

Eduardo dos Santos tinha já afirmado em Março deste ano que iria abandonar o cargo mas em 2018, um ano depois das eleições. Apesar disso, em Agosto, foi reconduzido como líder do partido.

Depois disto, e nos últimos meses, foram vários os rumores que surgiram em Angola dando conta da frágil saúde do Presidente, sugerindo que poderia renunciar ao poder mais cedo ou mais tarde.

O MPLA tomou as rédeas do poder em Angola, em 1975, depois de o país ter conquistado a independência a Portugal. Quatro anos mais tarde, Eduardo dos Santos tornou-se o chefe de Estado depois da morte do líder histórico, Agostinho Neto.