Avaliação em nove países: alunos portugueses do 12.º ano estão a meio da tabela

Portugal participou pela primeira vez no estudo internacional TIMSS com alunos do secundário. Foram avaliados a Matemática e a Física. Revelaram dificuldades em atingir conhecimentos avançados.

No estudo participaram cerca de seis mil alunos portugueses do 12.º ano
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No estudo participaram cerca de seis mil alunos portugueses do 12.º ano Rui Gaudencio

Os estudantes portugueses do 12.º ano estão a meio da tabela de um estudo internacional que avalia os conhecimentos de Matemática e Física. Portugal entrou pela primeira vez no TIMSS- Advanced (Trends in Internacional Mathematics and Science Study) e conseguiu a quinta e a quarta posições, respectivamente, numa avaliação em que participaram nove países. A dificuldade mostrada em atingir conhecimentos avançados condicionou os resultados.

Na Matemática, Portugal tem o quinto melhor desempenho entre os dez participantes — são nove os países envolvidos, mas a Rússia participou com dois grupos de alunos nesta disciplina, um dos quais tinha um reforço horário. Foi precisamente este grupo russo que conseguiu o melhor resultado, alcançando 540 pontos. A avaliação do TIMSS é feita numa escala de 0 a 1000 pontos.

O relatório mostra um outro país com resultado acima da média de referência de 500 pontos, o Líbano (532). Logo abaixo deste valor aparecem três participantes: Estados Unidos, o segundo grupo de alunos da Rússia e Portugal. A classificação média conseguida pelos alunos portugueses (482) fica a 3 pontos daqueles dois países e coloca-os à frente de França, Eslovénia, Noruega e Suécia. Os piores resultados na prova de Matemática são os da Itália (422 pontos).

Forças e fraquezas, onde estão?

O TIMSS-Advanced identifica as forças e fraquezas dos alunos nas diferentes áreas da Matemática. Os estudantes nacionais estão entre os melhores no que diz respeito aos conhecimentos em Álgebra, mas demonstram mais dificuldades em Cálculo e Geometria. A avaliação internacional também conclui que os portugueses são bons a raciocinar, mas mostram mais debilidades na aplicação do seu conhecimento.

Na Física, Portugal fica em 4.º lugar (467 pontos), entre nove participantes. Os melhores resultados são os da Eslovénia (531 pontos) e Rússia e Noruega estão também acima dos 500 pontos. Portugal é o primeiro país abaixo do valor de referência, à frente de Suécia, Estados Unidos e Líbano. Os piores resultados são os de França e Itália, que não atingem os 400 pontos.

Recurso a explicações

Os resultados do teste de Física mostram que os alunos portugueses estão entre os melhores nos conhecimentos de Mecânica e Termodinâmica, mas apresentam mais dificuldades com as matérias de Electricidade e Magnetismo e Fenómenos de Onda e Física Nuclear. O TIMSS revela também nesta área que os portugueses são fortes no conhecimento e na capacidade de raciocínio, mas menos bons a aplicar aquilo que sabem.

A prestação geral portuguesa no TIMSS-Advanced foi condicionada pelas dificuldades mostradas pelos alunos em atingir o padrão de conhecimento considerado "avançado". Na Matemática, só 2% dos alunos portugueses conseguiram chegar a esse patamar e, na Física, foram 3%.

A generalidade dos alunos portugueses fica-se pelo nível intermédio (54% na Matemática, 46% na Física).

O TIMSS-Advanced sublinha também a particularidade do país no recurso aos apoios fora da escola, como as explicações. A Matemática, 61% dos estudantes portugueses que participaram nesta avaliação recorrem a este tipo de auxílio, o dobro da média internacional. Só na Rússia este valor é mais elevado. Na Física, há menos alunos portugueses com explicações (27%), mas Portugal ainda está acima da média (18%) e é o segundo país com um valor mais elevado.

Esta é a primeira vez que Portugal participa no TIMSS-Advanced, destinado a alunos dos 12.º ano — que começou por ser aplicado em 1995 e foi repetido em 2008. O estudo avalia competências em Matemática avançada e Física de alunos que estão no último ano de cursos científico-humanísticos e que têm estas disciplinas para permitir o acesso a cursos superiores nas áreas de ciências, tecnologias, engenharias e matemática.

Houve 56 mil alunos a responder a este teste a nível internacional, dos quais 5851 (4068 de Matemática A e 1783 de Física) eram portugueses. Estiveram envolvidas 221 escolas na avaliação de Matemática e 149 em Física, das quais cerca de 5% do sector particular e cooperativo.