2016 está a ser um ano de “pico” de casos de tosse convulsa

Recomendação de vacinação para mulheres grávidas provocou ruptura de stock de vacinas, mas situação está a ser gradualmente normalizada

Daniel Rocha / PUBLICO
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Daniel Rocha / PUBLICO

2016 está a ser um ano de “pico” de casos de tosse convulsa. Até à semana passada, foram notificados à Direcção-Geral da Saúde (DGS) 526 casos desta doença, quase o dobro dos do ano anterior. Mas a mortalidade diminuiu: este ano, e até à data, foi declarada a morte de um recém-nascido, quando em 2015 dois bebés não sobreviveram às complicações causadas pela tosse convulsa, sublinhou a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas.

“A tosse convulsa tem registado picos de três em três ou de quatro em quatro anos, é um fenómeno que se verifica em todo o mundo desde que houve um recrudescimento da doença”, explicou ao PÚBLICO Luís Varandas, presidente da secção de infecciologia pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria, que sublinha que é isto mesmo que se está a verificar em 2016, com a multiplicação de casos notificados.

“Este ano houve um surto, o que faz parte da história natural da doença. Mas já acalmou e agora está controlado”, desdramatizou Graça Freitas, que admitiu mesmo assim que o número de casos é muito elevado quando comparado com o de 2015, ano em que foram notificados 286.

O “pico” deste ano coincidiu justamente com a recomendação emitida em Junho pela DGS -  que decidiu aconselhar todas as grávidas a vacinarem-se, o que provocou uma maior procura da vacina, que acabou por esgotar em várias farmácias. Graça Freitas garante porém que o stock já foi reposto entretanto e que as vacinas estão a chegar às farmácias.

“As mulheres grávidas estão a aderir à vacinação de forma impressionante, perceberam que a vacina serve para proteger o feto, por isso é que estas esgotaram”, acentua Luís Varandas.

A adesão também se justifica pelo facto de ter sido anunciado que a vacina contra a tosse convulsa para as grávidas vai passar a fazer parte do Programa Nacional de Vacinação já a partir de Janeiro e começa, a partir dessa data, a ser dada às mulheres nos centros de saúde. “Parece que isso ajudou as mulheres grávidas a perderem o medo da vacina”, acredita o médico.

As mulheres grávidas foram aconselhadas a vacinar-se porque os bebés só são imunizados a partir dos dois meses de idade com a DTP (dada em três doses e que protege da difteria e do tétano, além da tosse convulsa). Desta forma as grávidas passam anticorpos aos filhos através da placenta e esta foi a estratégia encontrada a nível internacional para dar resposta ao aumento de casos de tosse convulsa.

O ideal é que as mulheres se vacinem a partir das 20 semanas de gravidez, depois de fazerem a chamada ecografia estrutural, preconiza o especialista. Mas a vacinação pode ser efectuada até às 36 semanas de gestação.

A DGS seleccionou uma das três estratégias de vacinação possíveis. Em vez de se optar por vacinar os adultos que estão em contacto com os recém-nascidos ou vacinar de dez em dez anos toda a população, optou-se por vacinar as mulheres grávidas que desta forma transmitem imunidade aos filhos.

Para evitar problemas, Graça Freitas e Luís Varandas recomendam que as pessoas com sintomas de constipação e com tosse evitem contactar com os recém-nascidos e ainda que lavem as mãos frequentemente. Também não é aconselhável levar recém-nascidos para locais com muitas pessoas, como os centros comerciais.

A tosse convulsa é causada pela infecção com a bactéria Bordetella pertussis e em casos raros (cerca de 1% em crianças pequenas afectadas pela doença) provoca complicações que podem passar por pneumonia e colapso pulmonar. Os sintomas são tosse persistente e cavernosa.

A doença evolui por fases. Os pais devem procurar o médico se o bebé tem uma tosse seca, por acessos, e fica congestionado (com a face vermelha), antes de uma fase mais adiantada da doença, quando as crianças ficam com a zona à volta de boca roxa e quando, ao tossir, se ouve um guincho. Os adultos com tosse arrastada devem igualmente procurar orientação médica.

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