GNR garante que só efectuou três disparos em 28 dias de buscas

Pedo Dias, suspeito de dois homicídios em Aguiar da Beira, ficou em prisão preventiva.

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“Mal cheguei ao Alto da Freita fui perseguido com uma salva de tiros de G3 e a partir daí fui perseguido como um animal”, disse Pedro João Dias à RTP Sérgio Azenha

A Guarda Nacional Republicana (GNR) garante que os seus militares disparam apenas três tiros durante os 28 dias em que decorreram as operações de busca ao suspeito de dois homicídios em Aguiar da Beira e de outras três tentativas de assassinato, Pedro João Dias. Quem o diz é o porta-voz da GNR, major Bruno Marques, em resposta a algumas perguntas feitas pelo PÚBLICO, na sequência das acusações do suspeito, que se entregou à Polícia Judiciária na terça-feira à noite, numa entrevista à RTP3.

Bruno Marques insiste que “não houve disparos em direcção a ninguém” e que não foi disparado qualquer tiro da espingarda automática G3. O porta-voz da GNR confirmou que os militares são obrigados a reportar à respectiva hierarquia qualquer disparo feito com a arma de serviço.

“Mal cheguei ao Alto da Freita fui perseguido com uma salva de tiros de G3 e a partir daí fui perseguido como um animal”, disse Pedro João Dias à RTP. O suspeito disse que os militares da GNR “atiraram para tudo e mais alguma coisa” e que não se entregou mais cedo porque não havia condições de segurança.

Sobre os três disparos feitos pela GNR, Bruno Marques afirma que dois ocorreram logo no dia dos dois homicídios, a 11 de Outubro. Um, quando um militar deu ordem de paragem a uma viatura onde seguiria o suspeito e esta não obedeceu. “Nessa altura foi feito um disparo para o chão”, afirma Bruno Marques, que não precisa a hora nem o local do episódio.

Nesse mesmo dia, durante uma perseguição a pé, um outro militar da GNR ficou ferido após ter disparado acidentalmente com a sua caçadeira. “O guarda estava num terreno íngreme e disparou acidentalmente para o chão. O projéctil terá feito ricochete e raspado numa das pernas do militar”, descreve.

O terceiro disparo terá ocorrido uns dias mais tarde na aldeia de Assento, em Vila Real. “Foi feito um disparo com uma bala de borracha durante uma busca a um casebre”, afirma Bruno Marques, que apenas adianta que o episódio ocorreu no Norte do país. “Provavelmente os militares assustaram-se com o barulho de algum animal, porque não estava ninguém dentro do casebre”, acrescenta. Várias notícias dão conta de uma situação similar, na aldeia de Assento, Vila Real, a 18 de Outubro.   

Nesta quinta-feira Pedro Dias foi ouvido por um juiz de Instrução no Tribunal da Guarda, tendo ficado em prisão preventiva. O suspeito entrou no edifício pouco depois das 11h debaixo de um coro de vozes que gritou “assassino”.

À sua espera, além do contingente policial, estava uma centena de populares que se concentrou do outro lado da rua. Assim que Pedro Dias saiu do carro, alguns populares atravessaram a estrada para chegar mais perto do suspeito. Um grupo de mulheres ainda tentou aproximar-se, mas esbarrou no cordão policial que foi formado à sua volta. O suspeito entrou, as portas fecharam-se e os populares acabaram por desmobilizar.

“Não gostei de ver a forma como o povo reagiu”

“Pobre das famílias que ficaram sem os seus”, lamentou, mais calma, Conceição Gomes. Minutos antes tinha sido uma das vozes que gritara bem alto “assassino”.

Enquanto aguardavam a chegada, os populares discutiam factos da história que começou a 11 de Outubro com o assassinato de um militar da GNR e de um civil. “Tenho acompanhado este caso desde o início e não pensava que ele se entregasse”, confessou José Santos que calhou passar pelo tribunal.

Já Alfeu Santos lembrou que é a justiça “que agora tem de fazer o seu papel”. “Este homem tem de receber a pena máxima”, sentenciava António Oliveira que a caminho dos seus “afazeres” também resolveu passar pelo tribunal. Ao seu lado, ouvia-se “quem pelo ferro mata, pelo ferro deve morrer”.

Fernando Silva aproveitou que estava de folga para ir ao tribunal. Foi de propósito, porque sabia que Pedro Dias ia ser ouvido. “Não gostei de ver a forma como o povo reagiu”, confessou. “Ninguém tem a certeza se ele é ou não culpado, para isso é que ele agora vai ser ouvido e depois há o julgamento”, sustentou.