Detidos 20 skinheads suspeitos de agressão e tentativa de homicídio

Na operação policial desencadeada esta terça-feira pela Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ foram realizadas quarenta buscas domiciliárias.

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Ministério Público diz que detidos são membros dos skinheads neonazis. AFP/MATTHIAS HIEKEL

A Polícia Judiciária e o Ministério Público anunciaram esta terça-feira a detenção de 20 homens suspeitos de vários crimes incluindo discriminação racial, agressão e tentativa de homicídio. A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) adianta, num comunicado, que os suspeitos “actuam no seio de uma organização fortemente hierarquizada, de âmbito internacional, os skinheads neonazis liderados pela Hammerskin Nation", que classifica como "o mais violento e organizado grupo de extrema-direita”.

Os factos em investigação integram cerca de uma dezena de episódios violentos que ocorreram entre 3 de Novembro de 2013 e 20 de Setembro de 2015, período durante o qual "os suspeitos, motivados pela referida discriminação, terão agredido vários indivíduos e tentado causar a morte de um outro, bem como subtraído com violência e/ ou danificado bens pertencentes a outros indivíduos", resume a nota da PGDL. 

Na operação policial desencadeada esta terça-feira pela Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) da PJ foram realizadas quarenta buscas domiciliárias em Braga, Lisboa e Albufeira.  O director da unidade, Luís Neves, explica ao PÚBLICO que a investigação começou há mais de um ano e reúne um conjunto de “agressões bárbaras”, cometidas com facas ou em grupo, algumas das quais podem configurar tentativas de homicídio. Diz que a maior parte dos detidos integram o grupo Portuguese Hammerskin (PHS) e são jovens na casa dos 20 anos, muitos com antecedentes criminais associados à discriminação. “Alguns são jovens à procura, através destes crimes, de um lugar na estrutura daquela organização”, afirma Luís Neves.

Um dos casos que foi investigado neste inquérito foi uma agressão a um sindicalista da câmara de Lisboa que também é militante do Partido Comunista Português à saída de um comício da CDU no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em Setembro do ano passado. O sindicalista foi violentamente agredido, tendo estado hospitalizado vários dias, tendo o episódio acabado por envolver outras três pessoas que ficaram feridas de forma ligeira.

Na operação foram executados 16 mandados de detenção. Outros quatro suspeitos foram detidos na sequência das próprias buscas e, segundo o comunicado da PJ, são "suspeitos de pertencerem a uma estrutura criminosa que vem cometendo crimes de ofensa física qualificadas, em alguns casos agravadas e até tentativas de homicídio, crimes motivados pela diferença de raça ou orientação sexual das vítimas".

O inquérito é dirigido pela 11ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, precisa a PGDL, que adianta que no processo são investigados crimes de discriminação racial, religiosa e sexual, homicídio qualificado, ofensa à integridade física qualificada, roubo e dano.

O Ministério Público recorda que os Hammerskin Nation foram formado em Dallas, em 1988, e que se expandiram pelos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia "com o propósito de fomentarem acções violentas contra indivíduos de raça negra, indianos, de orientação sexual diferente da deles e refugiados”. A nota dá conta que o grupo usa a Internet, nomeadamente as redes sociais, para incitar ao ódio, defender a ideologia nazi e exaltar a superioridade da raça branca. “[No] nosso país, pretendem, além do mais, expulsar ou impedir a entrada em Portugal de todas as minorias étnicas”, especifica o comunicado da PGDL.

“Esta operação também tem natureza preventiva para que as franjas da sociedade que optam por este tipo de extremismo percebam que a polícia vai continuar a perseguir estas actividades”, afirma Luís Neves.

Esta é a maior operação contra os crimes de ódio alegadamente cometidos por elementos da extrema-direita, desde que, em 2007, a PJ a deteve uma dezena de pessoas e a identificou outras 31 na sequência de uma megaoperação que envolveu cerca de 60 buscas em todo o país.Incluindo o então líder dos PHS, Mário Machado, que continua preso.