Campanha incentiva cidadãos a notificarem efeitos secundários de medicamentos

Os medicamentos têm o potencial de tratar mas também comportam riscos, lembra o Infarmed. Já este ano, até 30 de Setembro, foram notificadas 3821 suspeitas de reacções adversas, 251 das quais feitas por utentes.

O projecto tem como objectivo apoiar os Estados-membros da União Europeia no funcionamento dos seus sistemas de farmacovigilância
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O projecto tem como objectivo apoiar os Estados-membros da União Europeia no funcionamento dos seus sistemas de farmacovigilância JOAO GUILHERME

O Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) está a promover uma campanha para incentivar os utentes a participarem as reacções adversas que sintam aos medicamentos, um comportamento que tem vindo a aumentar mas que ainda é muito reduzido em Portugal.

A campanha de sensibilização, que decorre até sexta-feira nas redes sociais, visa estimular a notificação de suspeitas de reacções adversas (vulgarmente designadas como efeitos secundários) junto dos profissionais de saúde e nas plataformas que existem para este efeito, como a do Infarmed, e destina-se sobretudo aos utentes. Esta campanha também estará disponível nas plataformas das instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e está integrada numa semana de sensibilização ao nível da União Europeia.

"Os medicamentos têm o potencial de tratar mas também comportam riscos" e, apesar de os fármacos autorizados e comercializados "serem seguros e eficazes, podem surgir reacções adversas", faz saber o Infarmed. "Importa assim assegurar que os riscos associados à toma de medicamentos sejam compreendidos pelos doentes e comunicados aos profissionais de saúde", alerta.

Depois de ser feito esse alerta, as entidades reguladoras tomam em consideração a notificação, de maneira a garantir a sua segurança. "Infelizmente, todos os países se deparam com a subnotificação, razão pela qual esta campanha é importante, tanto para sensibilizar a população e os profissionais de saúde, como para dar mais consistência à informação, capaz de gerar mais e melhor conhecimento", sublinha o Infarmed.

Ainda assim, tem-se verificado um ligeiro aumento das notificações em Portugal nos últimos anos: em 2012 houve um total de 3104 notificações, 16 (0,5%) das quais partiram de utentes, enquanto em 2013 aquele número subiu para 4618, 175 (3,8%) de utentes. Em 2014 e 2015, chegaram às autoridades, respectivamente, 4618 e 5690 notificações, das quais 175 e 215 de utentes, que representam, em ambos os casos, 3,8% do total de notificações.

3821 suspeitas notificadas

Já este ano, até 30 de Setembro, foram notificadas 3821 suspeitas de reacções adversas, 251 das quais feitas por utentes, ainda segundo dados do Infarmed, que alerta para o facto de o número de notificações feitas por utentes nos primeiros nove meses do ano já ter ultrapassado o total do ano anterior, representando um peso de 6,5% no total das notificações.

A campanha em curso centra-se numa animação, que pretende ilustrar o percurso dos doentes com suspeitas de reacções adversas, que começa com uma toma de um medicamento, a que se segue uma reacção adversa, e termina a mostrar como as notificações feitas por doentes ou por profissionais de saúde junto da entidade reguladora irão beneficiar os pacientes no futuro.

Esta campanha, cujo principal objetivo é aumentar a consciência da população e dos profissionais de saúde para os sistemas de notificação de suspeitas de reações adversas em medicamentos, faz parte do projeto SCOPE - Strengthening Collaboration for Operating Pharmacovigilance in Europe (www.scopejointaction.eu) e conta com a participação de 22 países assim como da Agência Europeia do Medicamento.

O projecto tem como objectivo apoiar os Estados-membros da União Europeia no funcionamento dos seus sistemas de farmacovigilância, que ajudam a proteger a saúde pública. É financiado através de contribuições da Comissão Europeia e dos Estados-membros envolvidos.