Teste eléctrico da Uber em Portugal vai ser alargado à escala global

Serviço que avançou com tecnologia do CEIIA e funcionava apenas em Lisboa e no Porto vai ser expandido a todos os países onde opera a Uber.

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O Uber Green permite aos utilizadores saber, em tempo real, a quantidade de emissões de CO2 Nelson Garrido

Durante seis meses o comportamento de 30 veículos eléctricos que estão a fazer transporte de passageiros através da plataforma electrónica Uber nas cidades de Lisboa e Porto estiveram a ser permanentemente monitorizados pelo sistema Mobi.Me, uma tecnologia desenvolvida pelo Centro de Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEIIA). Trata-se do serviço Uber Green, que permite aos utilizadores saber, em tempo real, a quantidade de emissões de CO2 que estão a provocar com as suas deslocações. Os resultados foram tão convincentes que o serviço vai ser expandido a toda a plataforma da Uber, e a todos os veículos eléctricos que trabalham na sua plataforma, já no primeiro trimestre de 2017. 

Não terá sido propriamente o facto de se saber que os 30 veículos fizeram cerca de 500 mil quilómetros em seis meses, ou que a média das 66 mil viagens efectuadas foi de 7,9 quilómetros. Mas saber-se que a utilização destas viaturas eléctricas permitiu diminuir as emissões de carbono em 57 toneladas, e que o utilizador pode quantificar, em tempo real, a sua pegada ecológica e alterar comportamentos de mobilidade em termos de soluções mais sustentáveis, e, porventura, até criar modelos de negócios em cima esta informação, foi o suficiente para que a experiência da Uber Portugal pudesse ser replicada em todos os países onde funciona a empresa.

Entre os modelos de negócio que podem ser criados conta-se, por exemplo, a diferenciação de tarifários, ou a criação de incentivos para quem conseguir um nível elevado poupanças - por exemplo, quem poupar um determinado número de toneladas de CO2 nas suas deslocações, poderá ter direito a viagens grátis. Tudo isso são decisões que a plataforma poderá tomar em cada um dos países em que opera.

“O utilizador do serviço de mobilidade pode ter consciência dos impactos e ter comportamentos mais sustentáveis”, argumenta Gualter Crisóstomo, director de sustentabilidade corporativa do CEIIA, adiantando que este vai ser mesmo o projecto que o centro de inovação português vai levar ao próximo encontro da COP, onde está sempre a convite das Nações Unidas. 

O CEIIA foi esta sexta-feira palco de um encontro de dirigentes de 25 agências do ambiente de outros tantos países europeus e do director executivo da Agência Europeia do Ambiente. “São decisores ao mais alto nível, gente que tem a ‘mão na massa’, que licencia actividades, que faz planeamento, e que aceitou o nosso convite de debater a mobilidade sustentável e a mobilidade eléctrica que é uma área onde Portugal dá cartas”, afirmou Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente.

Uma liderança que foi reconhecida por Hans Bruynincke, director executivo da Agência Europeia do Ambiente, depois de lembrar que o sector da mobilidade é aquele que desde 1999 tem vindo a aumentar emissões, em vez de as diminuir, como seria do interesse de todos. “Precisamos de uma mobilidade diferente e para nós é claro que Portugal tem assumido uma liderança nas políticas de mobilidade eléctrica. É muito bom perceber o que se passa aqui, e agora temos de perceber como o podemos aplicar em toda a Europa. Portugal é um bom exemplo também para mostrar como um país que está a sair de um crise económica tem uma visão clara de como quer crescer: de uma forma verde, sustentável”, sustentou.

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